segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Uma adega mais que mimosa


Quase no meio do caminho entre Petrópolis e Itaipava, na estrada que vai do Rio para Belo Horizonte, existe um lugarejo chamado Vale Florido. O lugar não teria nenhuma projeção não fosse o fato de, entre a meia dúzia de ruelas que o compõem, está situada a Locanda della Mimosa, um hotel de apenas seis apartamentos e um dos sete restaurantes chamados de magníficos pelo guia 4 Rodas (junto com o Antiquarius, o Claude Troigros e o Cipriani no Rio de Janeiro, o Fasano e o Massimo em São Paulo e o Boulevard de Curitiba).

A história da Locanda começou com a criação de enorme subterrâneo, a oito metros de profundidade, cuja construção foi feita em concreto maciço e toneladas de ferro. Depois de fechar esse este buraco com quatro metros de terra, estava criada La Cave, evidentemente, por ser Danio Braga, o proprietário do local um apaixonado por vinhos, não poderia deixar de ter uma adega de qualidade.

Encravada embaixo da terra, a adega privilegia os cuidados especiais para os vinhos e se mantém com duas diferentes temperaturas controladas: uma para vinhos tintos, entre 14 e 16 graus centígrados, e outra para vinhos brancos, entre oito e 10 graus, ambas regidas por um nível de umidade relativa do ar entre 60% e 75%, para que não sejam desenvolvidos os mofos tão letais e fatais às rolhas e aos rótulos.

Não é uma adega de luxo, tem uma decoração simples, porém funcional. O lugar é aprazível e dispões de uma mesa para eventuais coquetéis de boas-vindas - rápidos e para poucas pessoas. A visitação é obrigatória para quem gosta do assunto por tratar-se de ambiente realmente único e extremamente peculiar, que abriga grande variedade de rótulos que compõem a carta de vinhos. A visitação é sempre acompanhada pelo Jorge (o somellier titular da Locanda) ou pelo Márcio, que não se furtam de revelar os segredos mais prosaicos, como explicar que o chão da adega de pedriscos, não tem nenhuma função mágica de retenção de umidade ou de manutenção de temperatura. A função do pedrisco é simplesmente a de servir de amortecedor caso, no manuseio, alguma garrafa caia no chão.

São verdadeiros tesouros guardados debaixo da terra com diversas vantagens: ausência de trepidações, total controle de incidência de luz, da umidade relativa do ar e da temperatura. Entre os vinhos da reserva podem ser encontradas jóias raras, entre elas o polêmico Romanée Conti, safra de 1988, pela bagatela de quase 12 mil reais a garrafa, ou os famosos Château Lafitte Rotschild e Château d’Yquem.

Mas a carta de vinhos do restaurante não se resume apenas aos rótulos de alto luxo. A Locanda tem uma ideologia em relação à carta de vinhos: ela deve ser, antes de tudo, dinâmica e não estática, privilegiando todas as regiões produtoras de vinho. Existe uma preocupação clara com a mudança das estações, oferecendo em época de grande calor, maior opção de vinhos brancos e, em época de frio, aumentando a oferta de vinhos tintos. Fica clara a preferência pelas duas viniculturas mais importantes do mundo: a Itália e a França, mas também dão destaque aos vinhos mais expressivos de outras origens.

No último final de semana de outubro, a adega costuma passar por mais um dos seus movimentos.O Danio chega do exterior com trufas frescas para o cardápio do restaurante e, com isso, a disposição dos vinhos é modificada para deixar mais à mão os vinhos que melhor combinam com essa iguaria.

Se você estiver por perto de Petrópolis (são apenas 40 km do Rio de Janeiro), prepare o bolso e não perca a oportunidade.

5 comentários:

Vilma disse...

Seu texto está lindo! Sei que era para falar do local, mas babei mesmo pela forma leve e clara que o descreve!

Taty disse...

Pelo visto seu bolso já está bem preparado!

Ricardo Mainieri disse...

O local parece agradabilíssimo.
Já estive em Petrópolis, mas não conheci esta jóia.
Infelizmente, meu bolso anda mais para os vinhos do Cone Sul.
Fico satisfeito com um Suzana Balbo argentino ou um Casas Silva, chileno.

Abs.

Ricardo Mainieri

malmal disse...

fui tantas vezes a Cidade do Pedro, mas nunca fui até lá, ainda bem...já imaginou a turma lavando os pratos depois da festa etílica?

bijim....um dia quem sabe

bijim pro Maini ai em cima

Fábio Adiron disse...

Taty, digamos que já esteve melhor quando eu fui

Ricardo : seja bem vindo, volte sempre. Vinho bom independe de onde vem.