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Mostrando postagens com o rótulo ensaio

Entre o real e o ilusório: resposta aos homens ocos

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Inspirado por Vera Helena Castanho O vazio avança e o real se desfaz diante de nossos olhos. Entre imagens, notícias, estímulos incessantes e promessas, o mundo se tornou um espetáculo de aparências e máscaras. T. S. Eliot já havia vislumbrado esse cenário quando descreveu seus "homens ocos", aqueles seres "empalhados" que sussurram vozes dessecadas como "vento na relva seca". Mas onde Eliot via paralisia, podemos encontrar movimento. Onde ele percebia "forma sem forma, sombra sem cor", ainda é possível detectar potências. O ilusório não encanta mais: agora corrói. Dissolve contornos, confunde referências e deixa um espaço silencioso e inquietante, onde antes a realidade se sustentava no bom combate. Os "homens ocos" de Eliot habitam essa mesma terra morta, "esta terra do cacto" onde as imagens de pedra recebem súplicas de mãos mortas. Contudo, diferente da resignação elioteana, cabe reconhecer que não estamos condenados à p...

A hermenêutica da seta

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Como é de conhecimento do vulgo, a hermenêutica é a ciência filosófica voltada para o meio de interpretação de um objeto. Depois de quase 30 anos de habilitação como motorista, resolvi publicar meus profundos estudos interpretativos filosóficos sobre a seta (em alguns locais chamada de pisca-pisca), aquele aparato dos carros que, segundo se supõe, deveria servir para sinalizar as mudanças de direção. Quando eu aprendi a dirigir, a seta já era de uso comum, ainda assim os instrutores insistiam em nos ensinar a sinalização com o braço que, inclusive, era requerida no exame. Não seria capaz de traçar um paralelo entre a seta e o braço, uma vez que esse caiu em total desuso, especialmente por motivos de segurança - ninguém mais anda com o vidro aberto (é verdade que eu gostaria de saber como é que a sinalização de braço funcionava em dias de chuva). Mas deixemos de lero-lero, aqui vão as conclusões Seta nihilista : os adeptos dessa corrente se recusam a utilizar a mesma. Partem do direit...

Ah, Rosa, e o meu projeto de vida?

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"Rose is a rose is a rose is a rose." (Gertrude Stein`s Sacred Emily, 1913 ) "A rose by any other name would smell as sweet." (Shakespeare's Romeo and Juliet, 1594) Em meados dos anos 70, o crítico literário e semiota Umberto Eco publicou um livro de ensaios a respeito das relações entre a arte e a cultura de massa, dividindo as pessoas em duas cosmogonias distintas em relação às suas abordagens sobre a questão. De um lado os integrados, os otimistas que viam toda forma de cultura de massa como manifestações artísticas válidas, adequadas ao contexto histórico. Esses, segundo Eco, não teorizam a respeito da cultura e, sem esse viés crítico, podem produzir, emitir e consumir suas mensagens irrestritamente No outro extremo, estão os apocalípticos, isolados nas suas torres de erudição representam a dissenção contra tudo que pode ser compreendido ou absorvido com facilidade. Acreditam numa comunidade de “super-homens” posicionados acima de banalidade média, uma qua...

Ética, nos olhos dos outros, é refresco

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O idealismo é interessante, mas, quando ele se defronta com a realidade, seu custo se torna proibitivo. William F. Buckley Jr (jornalista americano) Ética é o ramo do conhecimento que estuda o comportamento humano, estabelecendo os conceitos de bem e de mal. O debate a respeito de conceitos éticos sempre provoca discussões acaloradas. A começar pelo fato de que a ética de uns não é a mesma dos outros, ética sempre foi um conceito relativo no espaço, no tempo e nas diversas culturas. O que é bom ou aceitável na cultura ocidental não é , obrigatoriamente, tão bom nas culturas orientais. Queimar hereges na fogueira, algo absolutamente ético em tempos de inquisição é inaceitável no século da pós-modernidade. No entanto, ultimamente, temos sido bombardeados, de um lado, pelos apelos de ética na política, no trabalho, na escola e, do outro por uma série de posturas e mensagens que invalidam esses mesmos apelos. É claro que a Internet não deixa de ser um tremendo canal para esses bombardeios,...

A nova bossa velha

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Eu gosto de música. Gostar talvez seja pouco, pode me chamar de melômano que eu não me ofendo. E eu gosto só de um estilo de música : a de boa qualidade. Ouço clássicos, pop, jazz, rock, samba, eletrônica, folclórica, religiosa. Não me importa o rótulo. Sendo bem construída e bem executada, me agrada. Eu também gosto de bossa nova. Tenho os discos do João Gilberto, do Jobim, Menescal, Sylvinha Telles, Oscar Castro Neves, Nara Leão, Os cariocas. Também tenho diversas releituras, Ella Fitzgerald, Stan Getz, Frank Sinatra além de muitos outros intérpretes nacionais. Mas eu não aguento mais os "inéditos" lançamentos de Bossa Nova. Não porque os intérpretes sejam ruins, ou porque tenham destruído as músicas. Eu cansei de ouvir sempre a mesma coisa. Com raríssimas e honrosas exceções, todo mundo que resolve gravar bossa nova usa os mesmos arranjos, os mesmos instrumentos e até o mesmo timbre de voz. A começar do próprio João Gilberto que há mais de dez anos está gravando o mesmo di...

Somos todos deficientes intelectuais

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Talvez nem todos saibam que eu sou pai de um menino com síndrome de Down (e de uma menina com síndrome de capataz - quer mandar em todo mundo) e, por esse motivo, já há alguns anos estou envolvido com as questões relativas à deficiência intelectual (isso mesmo, não se usa mais deficiência mental desde a Declaração de Montreal de 2004), especialmente a inclusão de todas as pessoas em todos contextos. Tornei-me um militante da inclusão, participo de grupos, de comunidades, bato perna falando e ouvindo sobre o tema e já estive em lugares que eu nem sabia que existiam. Como, além de falar, eu gosto de ler e de escrever, além dessas insanidades escrevo sobre vários assuntos nas mais diversas mídias. Divido meus escritos em quatro categorias : marketing, inclusão, teologia (sou protestante e professor de teologia sistemática) e, claro, insanidades. Também leio bastante sobre tudo isso e mais um pouco. Desde que o Samuel nasceu tentam me provar (ainda não me convenceram e, à medida que ele cr...

Quod erat demonstrandum

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Em matemática, ao encerrar-se a demonstração de um teorema usa-se a sigla QED (quod erat demonstrandum, ou seja, como queríamos demonstrar na tese proposta) No sábado publiquei num blog sério minhas considerações a respeito dos discursos pró e contra a pesquisa com células-tronco embrionárias num texto denominado " O discurso das células ". O tema já é polêmico o suficiente e, como biologia nunca foi a minha praia, não iria me meter a besta de me colocar de um lado ou de outro. Por outro lado, sempre gostei de linguística, de semiologia e de semiótica (que não se trata de visão monocular, antes que algum engraçadinho faça essa piada). Já passei por Jackobson, Saussure, Eco, Peirce, Hjelmslev, Pignatari, mas a minha identificação maior sempre foi com Lacan e Barthes. O inconsciente é estruturado como uma linguagem, dessa forma é através da linguagem e do discurso que podemos tentar compreender o inconsciente. Captou ? A partir dessa afirmação você já pode fazer uma análise da ...