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Mostrando postagens com o rótulo música

O garoto está de volta

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  Sou cria da década de 60. Um tempo de efervescência cultural, política e, principalmente, musical. Desse período vieram as minhas primeiras influências. Da minha mãe a música clássica e a popular brasileira (ahhh...a época dos grandes festivais), do meu pai as canções folclóricas franco-canadenses, da igreja a música sacra protestante. Uma delas, no entanto, foi, e ainda é, marcante para mim. Os meus primos mais próximos eram cerca de 5 anos mais velhos que eu e, especialmente do Sérgio, eu recebi a herança do Beatles. Literalmente uma herança, não só da música, mas dos compactos que ele repassava para mim. Ainda os tenho por aqui. Não foi à toa que, já na pré-adolescência, o primeiro LP que comprei foi Help! Um garoto que amava os Beatles e os Rolling Stones depois foi descobrindo o mundo do rock´n´roll, sem abandonar todo o resto que gostava. Continuei com descobertas. Do meu primo Alberto aprendi gostar de Peter, Paul & Mary e Joan Baez.   No começo da juventude...

Caminhos difíceis e turbulentos

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Caminhos difíceis e turbulentos ( Rough and rowdy ways ) é o novo álbum do senhor Robert Allen Zimmerman, a.k.a, Bob Dylan, que bem poderia se chamar dias difíceis e turbulentos em tempos de pandemia. De qualquer forma, sua temática não é a crise mundial, mas muito da história e das referências do seu autor. Como diz meu amigo Omar Giammarco, não é à toa que esse jovem que em 2021 vai completar 80 anos, ganhou um prêmio Nobel de literatura.  Ok, é apenas um compositor popular você vai argumentar, e eu contra argumentarei que sua poesia não é nada popular, ainda que ele, como músico, seja um dos grandes ícones populares da história. É só a minha opinião, mas eu o considero o maior poeta de língua inglesa do pós guerra, coincidentemente, começa a aparecer na época em que morreram Cummings e Sylvia Plath. O disco começa, não por acaso, com I contain multitudes , verso de Walt Whitman, que nele dizia que prosseguia para completar sua próxima dobra do futuro. Dylan vai reve...

Desde el alma (en español)

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Alma, no entornes tu ventana al sol feliz de la mañana. No desesperes, que el sueño más querido es el que más nos hiere, es el que duele más. (Homero Manzi)  Sábado, casi medianoche, un taxi nos fue a buscar al barrio de Agronomía para llevarnos de vuelta a nuestro hotel, en el centro. Un viaje de casi 20 km. El día anterior habíamos estado en Villa Pueyrredón, más o menos la misma distancia. El chofer del taxi no consigue contenerse y nos pregunta: ¿Por qué salieron del centro para ver un show tan lejos? Debe haber pensado: con tanta cosa disponible mucho más cerca del hotel, especialmente los tradicionales espectáculos de tango de turistas, ¿que hacen estos locos en la periferia de la ciudad? Yo sé que estoy piantao, piantao, piantao… Sería lo equivalente a salir de mi casa para ver algo en Vila Nhocuné o en el barrio de Socorro. La verdad es que la distancia es algo irrelevante para ver a Cucuza Castiello en un día, y Dolores Solá al día siguiente y, a pesar de algun...

Desde el alma

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Alma, no entornes tu ventana al sol feliz de la mañana. No desesperes, que el sueño más querido es el que más nos hiere, es el que duele más. (Homero Manzi) Sábado, quase meia-noite, um táxi nos pega no bairro de Agronomia para voltarmos ao hotel no centro, uma viagem de quase 20 km. No dia anterior estivéramos em Villa Pueyrredon, mais ou menos a mesma distância. O motorista do táxi não se contém e pergunta: por que vocês saíram do centro para assistir um show tão longe? Deve ter pensado: com tanta coisa disponível bem mais perto do hotel, especialmente os tradicionais shows de tango de turistas, por que esses loucos vão parar na periferia da cidade? Seria o equivalente a sair da minha casa para ver algo na Vila Nhocuné ou no bairro do Socorro. A verdade é que a distância era algo irrelevante para assistir Cucuza Castiello em um dia, e Dolores Solá no dia seguinte e, apesar de terem algumas diferenças, ambos têm muita coisa em comum. A primeira dela é ...

Quem não conhece, inventa.

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Como diria o mais que conhecido provérbio português: “o papel aceita tudo”. Já os meios digitais aceitam tudo e mais um pouco (já diria Umberto Eco, mas há quem se ofenda com essa opinião). O que pode provocar dores no pâncreas e desconfortos no astrágalo esquerdo. Em mim provocaram. O jornalista que resenhou o show de Sting para um dos grandes veículos de mídia nacional deve ter nascido quando o Police nem existia mais. É verdade que, como jornalista, não precisava ter a mesma idade do cantor e do seu público, bastava ser um pouco mais sério e se informar antes de escrever. Ele começa dizendo que o comportamento do público foi morno e comportado nas cadeiras. Na minha frente estava sentada uma senhora de uns 70 anos (super pop, de calças jeans rasgadas), ele queria o que? Que ela desse gritinhos e escândalos como a garotada que foi ver o Justin Bieber? O pessoal que estava na pista dançou bastante. Que estava nas cadeiras e dançou se preocupou em fazê-lo nas e...

Carregado pelo zonda

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Zonda é o nome que se dá a um vento argentino do lado oriental da cordilheira do Andes que, diz a lenda, ocorre quando alguém desobedece a Pachamama, a mãe natureza da mitologia inca. Também é o nome original do filme de 2015 de Carlos Saura que está em carta na Reserva Cultural com o nome de “Argentina”. Desde a sua trilogia flamenca, Saura se dedica, de tempos em tempos a retornar à música. Fados é um belíssimo filme sobre a alma portuguesa. Tango, explora a fundo a essência portenha. De volta à Argentina faz um mapa extenso e detalhado dos ritmos folclóricos dos hermanos . E é um filme fabuloso, ou melhor, é mais um filme fabuloso de Saura. Praticamente nenhuma fala. Música do começo ao fim de sua quase hora e meia de duração. Tomas Lipan, Luis Salinas, Pedro Aznar, Jaime Torres, Chaqueño Palavecino, Mariana Carrizo, são apenas alguns dos muitos intérpretes. Além de homenagens emocionantes a Mercedes Sosa e a Atahualpa Yupanqui. O filme ganhou prêmi...

Um ano de perdas

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Eu sei, todos anos nascem pessoas e morrem pessoas. E nós nem sabemos disso, exceto por aqueles mais próximos de nós. Nesse ano tive apenas uma pessoa mais próxima que se foi. E pouquíssimos nascimentos entre conhecidos. Do ponto de vista de herança cultural, no entanto, foi um ano terrível. Muitos se foram. Alguns, provavelmente, a seu tempo. Outros, cedo demais. Janeiro começou bem mal. David Bowie, o camaleão que me ensinou que é possível mudar de estilo sem perder a qualidade. Pierre Boulez, um gigante entre os maiores. Ettore Scola, que me fez dançar os mais variados ritmos no “Baile”. Em fevereiro, Umberto Eco, uma das melhores lembranças dos tempos de faculdade e que perpetuou nas minhas estantes em todos os anos depois disso. Em março se foi George Martin. E só quem é beatlemaníaco como eu é capaz de entender o que ele representou para a minha geração. Também em março Keith Emerson (meses depois, em dezembro, foi a vez de Greg Lake), de qualqu...

Uma frustração genial

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A vida é uma comédia escrita por um comediante sádico (Bobby Dorfman, personagem principal) Café Society é um filme frustrante. E é genial justamente por isso, um filme cujo desenrolar vai frustrando cada uma das nossas expectativas sobre os desfechos da trama principal e de cada uma das subtramas. Inclusive os desfechos que o próprio Woody Allen nos ensinou a esperar em outros filmes seus. Alguns vão dizer que é um filme menor. Talvez seja mesmo. De qualquer forma, um filme menor de Allen ainda é melhor do que a grande maioria das tranqueiras que são exibidas nas telonas e telinhas. O argumento do filme é bastante simples. Não tem nenhum ator saltando da tela nem nenhum personagem viajando no tempo. Nem camaleões. Os personagens são seres críveis que vivem situações corriqueiras e têm sentimentos comuns a qualquer outro ser humano. Até os bandidos são bandidos comuns. Não há nenhum ator ou atriz de beleza estonteante. Os atores dão a impressão de serem...

Un aire de sofisticación

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Yo no soy un musicólogo. Tampoco soy venezolano. Jamás sabría decir si un joropo es un joropo o simplemente tiene un aire de joropo.* Lo que sé es que estuve recientemente en Buenos Aires y finalmente conseguí ver una presentación de La Chicana, grupo argentino que acompaño desde 2012, cuando los descubrí en un documental sobre el tango contemporáneo llamado Un giro extraño . Debido al documental yo creía, al principio, que ellos formaban un grupo de tango de vanguardia. Con el tiempo me di cuenta que realmente son de vanguardia, pero limitarlos al tango no corresponde a la verdad. Su primer disco es Ayer hoy era mañana (1997), un título que por sí mismo ya prepara al oyente para algo que lanza la noción de tiempo directamente al caos. Por razones obvias, mi iniciación ocurrió con el segundo álbum, también llamado Un giro extraño (2000). Luego que escuché la introducción de la primera pista, me di cuenta de que algo realmente sorprendente iba a suceder. Un violín ...

Um ar de sofisticação

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Eu não sou musicólogo. Nem venezuelano. Jamais saberia dizer se um joropo é um joropo ou apenas tem um ar de joropo . [1] O que eu sei é que recentemente estive em Buenos Aires e, finalmente, consegui assistir uma apresentação do La Chicana , grupo argentino que venho acompanhando desde 2012 quando os descobri em um documentário sobre o tango contemporâneo chamado Un giro extraño . Em função do documentário acreditei, num primeiro momento, que se tratava de um conjunto de tango vanguardista. Com o tempo descobri que eles realmente são vanguardistas, mas limitá-los ao tango é uma inverdade. O primeiro disco deles é Ayer hoy era mañana (1997), título que por si só já prepara o ouvinte para algo que lança a noção de tempo diretamente ao caos. Por motivos óbvios, a minha iniciação se deu com o segundo disco, também chamado Un giro extraño (2000) e, ao ouvir a introdução da primeira faixa, percebi que algo muito surpreendente estava para acontecer. Um violino que soava...

Meia luz

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Morocha era uma mulher de luz. Luz natural, é claro, detestava lâmpadas quentes ou frias. Não morria de amor por velas nem lamparinas. Sempre dormiu de janelas escancaradas, luz da lua, luz do sol e até a luz fugaz do cometa Halley iluminaram sua cama. Só colocou uma cortina translúcida quando construíram um prédio ao lado do seu e, mesmo assim, exclusivamente para preservar sua privacidade. Alfonso era o homem das trevas. Engenheiro de túneis, só tolerava iluminação artificial e, mesmo assim, só da casa para dentro. Odiava qualquer feixe luminoso que lhe atingisse exogenamente. Morocha usava roupas estampadas e coloridas, sempre muito leves. Alfonso só se vestia de preto, da sola dos sapatos aos colarinho das camisas. Encontraram-se numa praça, num dia de chuva forte. Morocha tinha sido pega de surpresa pela tempestade. Alfonso tinha saído justamente para aproveitar o clima sombrio. Sabe-se lá por que, sabe-se lá como, apaixonaram-se. Sabe-se lá como, sabe-se lá por que resolveram en...

Uno

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Depois de muitas aulas e muito ensaio, começa a sair alguma coisa

A cor do som

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Elisa chegou em casa cansada e nervosa. O dia, definitivamente, não tinha sido dos melhores. O calor acentuara a sua dor de cabeça, o chefe a culpara por um erro que não era dela e quando ela pediu ajuda a um dos colegas de trabalho ainda teve de ouvir que ele não era mágico para resolver os problemas do mundo. Olhou para o relógio e ficou ainda pior, faltava um pouco mais de uma hora para os seus convidados chegarem e ela nem tinha começado a fazer o jantar. Entrou no chuveiro, tomou um banho rapidíssimo e voou com as suas tarefas. Arrumou a mesa enquanto a carne assava no forno, arrumou os vasos de flores, escolheu os discos para tocar durante o jantar, colocou a água no fogo para cozinhar o macarrão. Estava dando os últimos retoques na salada quando seus amigos começaram a chegar. Depois de muitos anos iria rever parte da turma da faculdade. Mantinha um contato remoto com alguns deles e mais próximo com duas amigas. Ela não via André desde o dia da formatura, mas lembrava da admiraç...

Uma lição de tango

Por una cabeza (Carlos Gardel e Alfredo Le Pera), tocado por Tango Project Minha parceira no video é minha professora Melissa When you undertake to dance the tango you become ready to move beyond life's fears. You acquire a way to celebrate life's romance. You dance of dreams: of passion, tension and release, frustration, conflict, separation from home and loved ones, and of resolution. You dance of your destiny in the making Argentine Tango is to lead and follow, to step to & fro, to turn right & left, to move together as one body. To Tango is to trust, to pause, to dance in a close embrace, articulating the unfolding of desire into passion. (Hugo Heyman)

Trilha sonora

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Todas as semanas Roberto dava uma passada pela loja de CD´s que ficava a meio quarteirão do seu trabalho. Algumas vezes comprava, outras não. Acabou ficando amigo de Geraldo, o dono da loja que o atendia pessoalmente. Geraldo se gabava de conhecer o gosto musical de todos os seus clientes. E estava certo. Raras foram as vezes que indicou algo para algum deles sem sucesso. Não era diferente com Roberto que, através de do lojista conheceu coisas que, sozinho não teria se arriscado a comprar. Richard Galliano, Tiziano Ferro, Jovanotti, Victor Ramil e Jessica Molaskey foram apenas algumas de suas agradáveis descobertas. Por mais que seu gosto fosse eclético, Geraldo acertava sempre. Luciana era apaixonada pelo concerto para violino de Mendelssohn. Também gostava de outras coisas, mas o velho Felix era a paixão da sua vida por motivos que nem ela sabia explicar direito o por que. O andante a emocionava quantas vezes o ouvisse. Também era cliente de Geraldo que a abastecia não só de versões ...

...es un tango

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Ele entrou no salão e a viu sentada do lado oposto. Caminhou pela pista em meio a casais que dançavam animadamente. Com os olhos fixos nela, foi se desviando de cada um deles até chegar à sua frente. Ela o olhou com espanto. Não o esperava, muito menos naquele lugar. Imaginou que ele fosse chamá-la para ir para outro lugar. Ele nunca soubera dançar. Ela já preparava uma recusa para a suposta proposta, quando a orquestra passou a tocar um tango. Ele olhou nos seus olhos e, sem nada dizer, lhe estendeu a mão e a trouxe para perto de si. Ela não entendeu nada quando ele começou a conduzí-la com uma pegada inimaginável. Caminhadas, oitos, ganchos, sacadas, voleios e torções. Parecia que ele tinha nascido dançando tango. Os olhos dela brilhavam de felicidade, os dele de paixão e desejo. Ele a amava bailando nos seus sonhos. A amava bailando nos seus braços. A amaria para sempre no salão de baile da sua vida.

Só por você

Minha petulância continua, dessa vez traindo um dos maiores letristas do cancioneiro americano Oscar Hammerstein II Para ouvir a música: clique aqui Só por você Só por você música no coração Só por você gênese da paixão Só por você o sol não para de brilhar Só por ser minha, lua e estrelas a fulgurar Para sempre a mesma emoção Só vivo por seu beijo e seu amar É como no paraíso morar Só por você a vida vale a pena Você, meu sorriso, minha pequena Because of you Because of you there's a song in my heart because of you my romance had its start Because of you the sun will shine the moon and stars will say you're mine Forever and never to part I only live for your love and your kiss it's paradise to be near you like this Because of you my life is now worthwhile and I can smile because of you

Retorno à eternidade

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Para ser lido ao som da Sinfonia nº1 de Mahler Felipe saiu da estação de metrô em plena Xavier de Toledo. Olhou para a sua direita e lá estava ele. Altivo, imponente, majestoso. A iluminação realçava sua arquitetura eclética misturando elementos barrocos, renascentistas e até de art nouveau. Ele ficou parado olhando o prédio e todo um filme do passado rodou pela sua cabeça. Fora ali dentro que tudo começara. O seu relacionamento com Romana começou bem devagar, quase se arrastando. Ele emitia sinais sutis demais para que ela percebesse e, quando achava que tinha percebido não acreditava que fosse exatamente aquilo.De qualquer forma, as insinuações de Felipe foram se multiplicando e se tornando cada dia menos duvidosas. Romana entendeu tudo e gostou da descoberta. Ele a convidou para um concerto. Conhecedora do gosto musical dele, ela aceitou. Ele passou pelos Campos Elísios para pegá-la, ela estava deslumbrante. Estacionou longe e foram caminhando até a porta do Theatro Municipal que br...

O tempo da música

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Anita e Oto se conheceram num jantar de família à qual ambos eram agregados. Anita era pianista. Oto professor de dança. Não foi só a música que os uniu, mas esta sempre teve parte fundamental nas suas vidas. Durante o jantar pediram que ela tocasse. Ele não tirou os olhos dos olhos dela. E ouviu cada nota com toda a atenção do mundo. Ela foi muito aplaudida, mas só ele elogiou o repertório que tinha escolhido. Nesse momento, ela se apaixonou. Foi a música que os levou a concertos fantásticos, a belos musicais e a uma constante troca de CD´s e DVD´s. Foi através da música que Oto começou ensinar Anita a dançar. Ela, que até então se julgava dona de dois pés esquerdos, se revelou no salão. Não poucas vezes paravam o que estavam fazendo para sentar e ouvir 19, 20 músicas em seguida, um olhando para o outro. Também foi a música que, muitas vezes, gerou momentos de tensão entre os dois. Anita tinha seus compromissos profissionais, Oto, os dele. O amor provocava uma necessidade brutal de es...

A cor do som

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No vale do rio Konoronhkwa os dias corriam mansamente. As aves chilreavam e comiam insetos, as raposas regougavam e comiam as aves, os ursos bramiam e comiam raposas. No meio da miríade de sons e refeições nasceu Kohetstha, uma borboleta de asas coloridas de violeta e magenta. Kohetstha logo cedo aprendeu que a sobrevivência no vale estava diretamente relacionada com o silêncio. Sobrevoava a campina forrada de flores sempre da forma mais suave para não atrair predadores e coletava o néctar que sustentava sua atividade física intensa. Do outro lado do vale, Teiakiatonts, um macho de cor azul forte também vivia de forma reclusa e silenciosa e, apesar de gostar muito de cantar, ele só o fazia na solidão escura da toca que descobrira num tronco de árvore onde morava. Certa manhã uma tempestade se abateu sobre o vale. Os bichos fugiram em busca de abrigo, não foi diferente com Kohetstha. Levantou vôo com a intenção de voltar para casa, mas o vento a carregou para o lado de Konoronhkwa que e...