O buraco
Alice se aproximou vagarosamente e olhou para dentro dele. Não conseguiu enxergar o seu fim e, por isso mesmo, temeu aventurar-se tomando um destino não previsível. Ao mesmo tempo não conseguia sair do lugar. Como se a profundidade e a escuridão lhe fossem um imã incontrolável. Meditou sobre as escolhas da vida e creu que, se ainda estava sã, era por se manter à margem de qualquer risco. Não percebia que a sanidade estava no fundo do buraco e não fora dele. Questionava-se sobre o preço a pagar pela ousadia de pular no abismo. Haveria retorno razoável para uma atitude daquelas. O tombo traria lucro ou prejuízos? Como em qualquer investimento, o risco alto também trazia grandes retornos. Descontroladamente entregue a ele, ela se lançou. Para o incômodo dos outros, sua vida tornou-se uma maravilha.