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O buraco

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Alice se aproximou vagarosamente e olhou para dentro dele. Não conseguiu enxergar o seu fim e, por isso mesmo, temeu aventurar-se tomando um destino não previsível. Ao mesmo tempo não conseguia sair do lugar. Como se a profundidade e a escuridão lhe fossem um imã incontrolável. Meditou sobre as escolhas da vida e creu que, se ainda estava sã, era por se manter à margem de qualquer risco. Não percebia que a sanidade estava no fundo do buraco e não fora dele. Questionava-se sobre o preço a pagar pela ousadia de pular no abismo. Haveria retorno razoável para uma atitude daquelas. O tombo traria lucro ou prejuízos? Como em qualquer investimento, o risco alto também trazia grandes retornos. Descontroladamente entregue a ele, ela se lançou. Para o incômodo dos outros, sua vida tornou-se uma maravilha.

Alices maravilhosas

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Alice não é uma história para qualquer um, como, por sinal, não costumam ser as Alices que eu conheci. Nem toda Alice que eu conheço atende pelo nome de Alice. São seres irriquietos e vívidos transitando em mundos que alternam sonhos e poesia Como Alice, a personagem, também têm seus medos e inseguranças, mas não se deixam vencer por eles. No seus caminhos já encontraram gatos invisíveis, chapeleiros malucos e rainhas insanas. Convivem todos os dias com cenas cômicas e surrealistas. Questionam tudo, duvidam de tudo, analisam tudo. O que não lhes dá garantia de estarem no melhor caminho, mas não se envergonham de perguntar a direção. No Glorian Day elas acabam com o dragão, se livram da tirana e seus asseclas. E reconstroem suas histórias em direção à liberdade.

Novos hai-kais

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Essa é a minha segunda tentativa com Hai Kais. Vale a comparação com a primeira . Também naquela deixei uma breve explicação do que eles são. Alimento sóis Cena de brilho fugaz Intenção no ar Libera a alma A bandeira distante Da maresia Incenso ronda Acende flor girassol Um pouco depois Celacantos sós Na imensidão gelada Dores ancestrais Espero o canto Inda que chovam hoje pedras lilases

Alicidades

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Alice é uma amiga mais do que especial, isso vocês já sabem desde que escrevi "O sorriso do gato de Alice" (e se não leram, leiam antes de chegar a conclusões moralistas). Foi nesse texto também que mencionei o fato de que ela escreve muito bem, mesmo quando alega que perdeu a mão...(Alice - vai perder a mão bem assim no Recreio dos Bandeirantes !!). Um dia, totalmente à sua revelia, comecei a colecionar preciosidades dentros dos textos que ela publicava que eu denominei "Alicidades" e deles compus um jogral poético. Como vocês já demonstraram que para bom entendedor um décimo de palavra basta, não vou dar o roteiro de quais são as frases dela e as minhas no poema. Divirtam-se na procura. A noiva lua sobre a pele mesmo que coberta por um belo véu, Destelhando sonhos , sonhando temas no papel, Procura nos teus olhos cristais de areia e mar Que lágrimas não vão ocultar Porque não cabe ao meio pousar no caminho querendo tomar o lugar do ponto final Não existe estação ...

O sorriso de gata da Alice

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Em 1986, Anne Bancroft (linda como sempre) e Anthony Hopkins (nada assustador como costumava ser) protoganizaram uma pequena jóia do cinema chamada "84 Charing Cross Road", pessimamente traduzida (como sempre) em "Nunca te vi sempre te amei" (o que já conta o desfecho da história....como na tradução do filme de suspense que virou "O assassino era o mordomo") Quem nunca viu, veja. Procure nos sebos, nas video locadoras que tem filmes de arte. É a história da correspondência (por carta de papel, selo, correio....) entre a escritora Bancroft, em Nova York e o livreiro Hopkins em Londres (o nome do filme é o endereço da livraria). É a história de uma grande paixão. A paixão comum que os dois tinham pelos livros. Sempre que troco mensagens com a minha amiga Alice eu me lembro dessa história. Não a conheço pessoalmente (claro que, em tempos de Internet, nós temos a vantagem de já termos visto um ao outro em fotos dos álbuns virtuais) mas, em alguns momentos, é ...