sexta-feira, 15 de abril de 2011

O buraco

Alice se aproximou vagarosamente e olhou para dentro dele.

Não conseguiu enxergar o seu fim e, por isso mesmo, temeu aventurar-se tomando um destino não previsível.

Ao mesmo tempo não conseguia sair do lugar.
Como se a profundidade e a escuridão lhe fossem um imã incontrolável.

Meditou sobre as escolhas da vida e creu que, se ainda estava sã, era por se manter à margem de qualquer risco.

Não percebia que a sanidade estava no fundo do buraco e não fora dele.

Questionava-se sobre o preço a pagar pela ousadia de pular no abismo.

Haveria retorno razoável para uma atitude daquelas. O tombo traria lucro ou prejuízos?

Como em qualquer investimento, o risco alto também trazia grandes retornos.

Descontroladamente entregue a ele, ela se lançou.

Para o incômodo dos outros, sua vida tornou-se uma maravilha.

4 comentários:

Taty disse...

Sempre desconfiei que os buracos negros carregam grandes mistérios e dos bons!

Vilma A. de Mello disse...

Vou me atirar no primeiro buraco que encontrar, claro que se tratando de Londrina não vai ser muito díficil encontrar um pelas ruas

Bom dia!!!

Raquel Jacobsen disse...

alguns buracos parecem mais estação do metrô: todo mundo entra.

Alice disse...

"Para o incômodo dos outros, sua vida tornou-se uma maravilha."
Exatamente isso!
Beijo imenso!!!!!!!