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Mostrando postagens com o rótulo amante

Absinto

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Ela comia os meus corações com mesóclises enquanto descia pelo meu esôfago o doce árabe calafetado. Súbito, seu cúbito veio ao encontro da minha mão esquerda, enquanto suas saboneteiras vinham de encontro a meus lóbulos flamejantes. A multidão, disposta a corroer garatujas, aglomerava-se para observar a cena. Nem patrocínio, nem mecenas de Micenas garantiam nada em caso de sinistros. Levantaram-se-me minhas pálpebras com um ligeiro movimento pseudopático. Livrei-me das inconvenientes lantejoulas do seu vestido obnubilado de prismas hematófagos. Estava a ponto de interromper tudo, pois não me agradava a audiência desqualificada, quando um bando de gralhas asininas avançou vorazmente sobre a caterva, consumindo-a à vinagrete. Um consommé. Ela me olhou com seu olhar tórico, sempre sedutor e, sem mais astigmatismos, sucumbimos em rompantes glaucos.

O caso do Amaro

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Amaro, engenheiro químico de uma poderosa empresa farmacêutica, trabalhava num projeto de pesquisa de uma nova droga. Caso a pesquisa fosse bem sucedida, os lucros seriam fabulosos e, por isso mesmo, o assunto era tratado com confidencialidade extrema. Amaro, inclusive, foi obrigado a assinar um termo de compromisso que o proibia de falar do assunto com qualquer pessoa que não estivesse envolvida no assunto. Nem com sua família. O componente ativo da droga era a prolaminodiacida. Os pesquisadores da empresa passaram a se referir a ela em código. Só falavam na Cida. Tudo corria bem, até que, num domingo à tarde, um colega ligou para a sua casa. Amaro estava no clube com as crianças, ele falou com Zoraide, a mulher de Amaro, e pediu que ela avisasse o marido que a Cida estava precisando dele. Quando chegou, a mulher deu o recado e ficou esperando alguma explicação. Ele só disse que precisava ir até a fábrica. Já era tarde da noite quando voltou. Zoraide estava na cozinha esperando. Depoi...

A mulher do capitão

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Todos os dias no fim do dia, Rachel ia até o porto para se despedir de seu namorado, o capitão da balsa que liga a ilha ao continente. Todos os dias pela manhã, ela voltava para receber o seu namorado, o capitão da balsa que chegava. Uma rotina que durou anos a fio. O que o capitão da balsa não sabia era que ele não era o único na vida de Rachel, havia um outro, que era o capitão da balsa. Na verdade, duas balsas faziam a ligação entre aquele fim de mundo e a cidadezinha do litoral, alternadamente. Quando uma delas estava indo para a ilha, a outra voltava para continente. Menos aos finais de semana. A balsa que chegava na sexta feira só voltava no domingo à noite. A outra chegava só na 2a feira de manhã. Como que Rachel conseguiu seduzir Antonio e Henrique ninguém nunca soube. Mas todos na ilha sabiam o que acontecia. Como os dois só se encontravam no meio da travessia, mas nunca pessoalmente, não sabiam que eram amantes da mesma mulher. Mesmo os moradores do continente, que chegavam ...

Não existe

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Crianças tem amigos imaginários (algumas continuam a tê-los pelo resto de suas vidas), adultos costumam ter alter-egos. De uma certa forma, todos nós temos algum tipo de criatura oculta em algum lugar da mente. Mariana tinha um namorado imaginário. Não, não se tratava de um protótipo do príncipe encantado que muitas mulheres sonham encontrar, mesmo sabendo que não existem. O namorado de Mariana tinha nome, imagem, qualidades e defeitos. O que o diferenciava de todos os demais seres do sexo masculino era o fato de que ele não existia. Mariana conversava com ele, trocava confidencias, lhe enviava mensagens e recebia presentes (que ela mesma escolhia e pagava). Chegava mesmo a contar para as amigas a respeito dos encontros que mantinha com ele, com uma riqueza de detalhes que mesmo quem sabia da inexistência do namorado chegava a acreditar. Quando falava a respeito de Oto (esse era o seu nome), Mariana se emocionava. Ria das suas piadas, se encantava com o seu romantismo, admirava seu go...

O amante da Dagmar

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Dagmar é uma amiga minha. Divertida, despachada e desbocada. Ao mesmo tempo séria, compenetrada e culta. Dentre muitas das suas qualidades, ela torce pelo mesmo time que eu, o que tem se tornado cada vez mais raro com o passar do anos. Ela é um pouco mais velha que eu e casada há bem mais tempo que eu e, outro dia, veio me contar uma história a respeito do seu casamento que eu não sabia. Quando casou Dagmar tinha entre os seus planos de vida arrumar um amante. Não que estivesse casando contrariada, pelo contrário, casou feliz. Mas sempre foi uma devoradora de livros e achava que ter um amante completaria seu ideal literário. Não sabia se queria ser Lady Chatterley, Capitu ou Emma Bovary, mas como uma pessoa que planeja meticulosamente sua vida já tinha tudo organizado, exceto encontrar o amante. Por isso mesmo, quando mobiliou sua casa comprou um armário que tivesse uma repartição que fosse grande o suficiente para o amante se esconder. Daqueles armários antigos, mais de dois metros d...

Ut nunc sunt homines

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Andrômaco sempre pareceu ser um sujeito comum. Apesar do seu nome. Ele mesmo admitia que seus pais tiveram escolhas esdrúxulas. O nome de uma de suas irmãs era Minâncora, a outra chamava-se Maizena. Claro que foram expostos a todas as piadas e trocadilhos possíveis na infância e juventude. Fora isso, nunca chamou a atenção. Foi um aluno mediano, um jovem sem excessos, um trabalhador dedicado mas sem nenhum brilhantismo. Quando conheceu Mariana foi paixão à primeira vista de ambos os lados. Nesse momento ele se revelou um amante apaixonado. Depois de algum tempo, também mostrou ser fogoso. Mariana adorava o espírito de aventura do namorado. No começo dentro do carro, depois em lugares inesperados. Quando ela se dava conta não tinha como voltar atrás. Sempre riam das situações e eram felizes. Alguns poucos anos de namoro e resolveram casar. O evento não poderia ser mais tradicional. Casamento civil. Igreja com tudo que Mariana tinha direito, incluindo Mendelssohn na entrada e Wagner na s...

O bem amado

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O mar é grande e cabe na cama e no colchão de amar. (Drummond) Ela olha para mim e se queixa. Diz que eu a dispenso e a troco por um colchão. O que fazer se o colchão sabe cantar músicas de ninar e ela insiste que eu fique acordado ? Meu colchão, todas as noites, me chama com promessas de sonhos. É verdade que eu nunca consigo me lembrar de nenhum deles, mas certamente eles acontecem o que deixa meu amigo de quarto com mais razão ainda. Além disso, ele tem a densidade ideal para a minha coluna, o que me permite um um estilo de vida mais saudável. Ele se amolda ao corpo como ninguém até hoje fez. O material possui grande resistência às deformações (fundamentais no meus caso) e promove uma leve pressão em direção ao corpo, o que permite um melhor fluxo de circulação sangüínea durante o sono. Gostaria de entender melhor o que o meu sangue fica fazendo a noite toda, circulando por aí, mas isso é outra história. O bichinho é ecológicamente correto (bem diferente do travesseiro que me acompa...

Um dia inesquecível

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Muitos não devem ter percebido e a data passou em branco. Afinal, não é todo dia que se comemora um dia desses. Ah...você não faz a menor idéia ? Pois é, dia 22 de setembro foi o dia do amante. Claro, claro, eu entendo perfeitamente, você não tem um(a) amante e não poderia lembrar disso mesmo. Por outro lado se você deixar de lado a malícia e pensar que amante é todo aquele que ama. Logo, todos nós somos ou já fomos amantes. Portanto não deixa de ser uma data absolutamente universal, independe de sexo, idade, raça, cor e estado civil. Ops ! Pode ser que dependa de estado civil. No nosso folclore piadístico a figura do(a) amante é uma cena recorrente. Eu fico, aqui como marqueteiro que sou imaginando a possíveis situações. Como marqueteiro direto ainda mais. Onde será que se poderia conseguir um bom mailing de amantes ? Será que os motéis tem banco de dados ? Ou a joalherias ? Talvez o Flores Online. Preciso pesquisar. Qual será a melhor mídia para atingir esse público ? Mídia de massa ...