domingo, 7 de maio de 2017

Quem não conhece, inventa.


Como diria o mais que conhecido provérbio português: “o papel aceita tudo”. Já os meios digitais aceitam tudo e mais um pouco (já diria Umberto Eco, mas há quem se ofenda com essa opinião).

O que pode provocar dores no pâncreas e desconfortos no astrágalo esquerdo.

Em mim provocaram.

O jornalista que resenhou o show de Sting para um dos grandes veículos de mídia nacional deve ter nascido quando o Police nem existia mais. É verdade que, como jornalista, não precisava ter a mesma idade do cantor e do seu público, bastava ser um pouco mais sério e se informar antes de escrever.

Ele começa dizendo que o comportamento do público foi morno e comportado nas cadeiras. Na minha frente estava sentada uma senhora de uns 70 anos (super pop, de calças jeans rasgadas), ele queria o que? Que ela desse gritinhos e escândalos como a garotada que foi ver o Justin Bieber?

O pessoal que estava na pista dançou bastante. Que estava nas cadeiras e dançou se preocupou em fazê-lo nas escadas para não atrapalhar a visão de quem queria ficar sentado (ainda bem que essa geração ainda tem respeito pelo próximo).

A besteira seguinte foi dizer que as pessoas tiveram de aguentar músicas desconhecidas para poder ouvir as canções do Police. Quem desconhece é ele.
Quem gosta de Sting sabe muito bem (e a maioria cantou junto) coisas como Desert Rose, Shape of my heart, Fields of gold, I hung my head, Fragile, She´s too good for me.

E, mais que óbvio, quem é fã conhece as músicas do novo disco que já está nas prateleiras das lojas (e no Spotfy se você for moderninho) desde o final do ano passado. Ele bem que poderia ter ouvido um pouco antes de ir ao show.

De todas as besteiras, a mais genial, foi se referir a The last bandoleros, a banda que abriu o show e acompanhou Sting durante boa parte do seu show como um trio. O jornalista acabou de inventar o trio de quatro.

Aliás, muito bons os Bandoleros. Rock´n´roll sem frescura e de excelente qualidade.

Já os seus comentários sobre Joe Stumner, filho de Sting, que participou antes e durante o show são, para dizer o mínimo, indelicados. O cara não tem a qualidade do pai, mas está longe de ser um músico ruim. Ouça aqui o que eles fazem com Ashes to ashes, o filme continua com a ótima 50,000, uma das músicas “desconhecidas” do jornalista e a policealesca Walking on the moon.

No mais, ele se preocupou em comentar a forma física e a tintura do cabelo do cantor. Imagino que tenha uma longa experiência em jornalismo de fofocas.


Ah...o show foi uma delícia do começo ao fim. Sting está mais do que em forma (e aqui me refiro à sua competência musical e não à sua falta de barriga), o repertório logicamente privilegiou o disco novo (é o tema da tounée) mas passou por toda a carreira do cantor. 

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