sexta-feira, 14 de março de 2008

A nova bossa velha


Eu gosto de música. Gostar talvez seja pouco, pode me chamar de melômano que eu não me ofendo. E eu gosto só de um estilo de música : a de boa qualidade. Ouço clássicos, pop, jazz, rock, samba, eletrônica, folclórica, religiosa. Não me importa o rótulo. Sendo bem construída e bem executada, me agrada.

Eu também gosto de bossa nova. Tenho os discos do João Gilberto, do Jobim, Menescal, Sylvinha Telles, Oscar Castro Neves, Nara Leão, Os cariocas. Também tenho diversas releituras, Ella Fitzgerald, Stan Getz, Frank Sinatra além de muitos outros intérpretes nacionais.

Mas eu não aguento mais os "inéditos" lançamentos de Bossa Nova. Não porque os intérpretes sejam ruins, ou porque tenham destruído as músicas. Eu cansei de ouvir sempre a mesma coisa. Com raríssimas e honrosas exceções, todo mundo que resolve gravar bossa nova usa os mesmos arranjos, os mesmos instrumentos e até o mesmo timbre de voz.

A começar do próprio João Gilberto que há mais de dez anos está gravando o mesmo disco, com o mesmo repertório. Aí os críticos que não criticam nada acham lindo que ele regravou Corcovado pela décima oitava vez mudando um trinta e dois avos de uptempo na segunda linha da primeira estrofe. Nem o Tom Jobim, que teria o direito de fazer o que bem entendesse, gravava a mesma música da mesma forma duas vezes.

Por isso eu desisti. Não compro mais disco de bossa nova. Cansei de um banquinho e um violão.

Até que hoje eu comprei "Onde brilhem os olhos seus", homenagem da Fernanda Takai (isso mesmo, aquela do Pato Fu... ah você não faz nem idéia do que seja o Pato Fu...então descubra) à Nara Leão. Claro, não comprei desavisado, já tinha ouvido algumas músicas no Vozes do Brasil da Patrícia Palumbo.

E sabe de uma coisa : o disco é ótimo. Não tem banquinho, tem violão junto com sons programados. Tem bateria eletrônica. Tem arranjos completamente diferentes daqueles que eu já ouvi mil vezes. E tem a voz da Fernanda, que é de primeira. E tem até o Roberto Menescal fazendo solo de guitarra em Insensatez. Guitarra ?? Pois é, até os velhos da bossa podem ser novos.

Tem a dificílima Lindonéia. Tem Luz Negra num arranjo que deve ter feito o Nelson Cavaquinho sair do túmulo...e dançar. Também os clássicos : Insensatez, Estrada do Sol, Com açúcar com afeto.

Já li um comentarista (daqueles que gostam dos trinta e dois avos do João Gilberto) reclamarem do disco. Eu fecho com a Fernanda.

E meus ouvidos, humildemente, agradecem.

6 comentários:

Bel disse...

Corrige aí: é onde BRILHEM e não BRILHAM os olhos seus... fui procurar no emule (não compro mais CD, depois que descobri o emule) e não achei... mas quando joguei Fernanda Takai, tava lá.

Thanks pela indicação!
Bjo!

Taty disse...

Hahahaha, bem feito! Meteu pau na bossa nova e acabou na bossa nova eletrônica, hahahahaha.
Mas boosa nova é sempre bossa nova nova, com ou sem arranjos, é mto bom de se ouvir.

Taty disse...

Bel: se vc usa o emule, tenta o ares ou o limewire, são bem + rapidos e não são mule, hahaha....

Fábio Adiron disse...

Bel

Brigadim...tá corrigido

Taty

Depois ouça, rotular o disco de bossa eletrônica também não faz jus ao resultado final, é bem mais que isso.

Lou Mello disse...

Muito bom seu texto. Eu não teria feito melhor. Ainda mais, se tratando de uma bossa nova como essa.

malmal disse...

Realmente , ouvi e gostei muito, já gostava dela no Pato Fú, agora mais..

esse comprarei..

bijoks