quinta-feira, 6 de março de 2008

Hematófagos no Itaim Bibi


Entre fumaça e buzinas eles se escondem durante todo o dia, nas tocas, nos beirais, nas poucas árvores que resistem à devastação urbana.

Começam espreguiçar-se quando o sol se põe mas continuam nos seus refúgios, ainda há excesso de luz de faróis e o barulho vindo dos bares da região ainda soam ameaçadores.

Na madrugada abrem as asas e saem em busca de subsistência. Frutas, restos de alimentos. E sangue, se não houver outra alternativa.

Percorrem janelas abertas, vasculham cozinhas, fruteiras, plantas de varandas. Observam atentamente os lixos das pias. Dirigem-se aos quartos.

Alguns já aprenderam onde encontrar cardápios mais sedutores, especialmente em noite de calor quando as pessoas estão pouco cobertas...

Muitos vão e voltam todas as noites, como as pombas do Correa.

Outros mudam seus caminhos e tentam vôos mais longos em direção a destinos menos árduos.

Mas quando um deles encontra Nala, a gata, a história se encerra.

Só servem para que ela demonstre, no dia seguinte, à sua dona, os restos mortais de sua caçada.

5 comentários:

Lou Mello disse...

Isso é sério. A proliferação desses hematófagos é alarmante e não é só no Itaim Bibi, trata-se de um fenômeno nacional. Em Brasília, eles roubam frutas, legumes, restos de comida e, se não houver outra coisa, eles tiram o sangue das pessoas mesmo. Pior é que lá não tem nenhuma gata que consiga devorá-los, exceto as jornalistas jovens da Globo, claro.

Taty disse...

Nala ficou extremamente honrada em ter o nome citado no blog. Ela adora morcegos, mas o preju da vacina anti-rábica fica pra dona.
De repente ela pode ir à Brasilia, ensinar a técnica da Caça aos Morcegos.
Amei o texto!

malmal disse...

por essas e outras os gatos são meus animais preferidos...

bijim

Vilma disse...

Se o problema de vocês são os morcegos, por aqui temos pombos, um problema díficil, de um lado a população que não aguenta mais ser "presenteada" com bombas via area, de outro os ambientalistas que defendem os bichinhos a todo custo e não querem exterminá-los.

Arimar disse...

Querido Fábio.
Como diz o alienado: "Cada um com seu cada qual"
Ora morcegos, ora pombos, ora mosquitos da dengue, ora formigas comendo as flores, ora cupins, ora ratos no jardim da praia...
Dá para passar o endereço da Nala?


O texto, como sempre, lindo demais.
Beijos.
Feliz Dia das Mães.