quinta-feira, 20 de março de 2008

O sangue de um traidor

Pode dizer que estamos na quaresma e que eu deveria me comportar melhor.

Mas não deu, caí em tentação e tive de trair de novo.

A vítima dessa vez é Walt Whitman, o poeta das Folhas de Relva e sua ode ao capitão :


Ah capitão! Meu capitão!


Ah Capitão! Meu capitão! findou-se nossa jornada
A tormenta é passada
A coroa que buscamos, conquistada.
O porto se aproxima, ouça os sinos, o povo que se alegra
Mirando a quilha do nosso barco audaz na procela.
Ah coração ! coração!
Espalhadas no convés estão
Gotas vermelhas de sangue do meu capitão
Frio e morto, sobre o chão.

Ah Capitão! Meu capitão! Ao som dos sinos levantai
Clarins tocando, a bandeira voando. Levantai.
Com buquês, fitas e grinaldas vos espera a multidão.
Grita seu nome a turba massa, sua face olharão.
Ah pai ! Ah capitão!
Os braços que seguram seus cabelos
São sómente sonhos e desvelos
Frio e morto, sobre o chão.

Meu capitão não mais responde. Dos lábios brancos, só silêncio vem
De meu pai que não sente meu braço, nem pulso nem vontade tem.
Ancorado e seguro está o barco, a viagem se encerrou
Viagem medonha, viagem vitoriosa, seu prêmio ganhou.
Exulta ó praia, os sinos dobrarão.
Desolados passos caminharão
no tombadilho da embarcação. Ah capitão!
Frio e morto, sobre o chão.

Se você se interessa por esse hábito traiçoeiro, as minhas outras puladas de cerca estão em :


* abaixo o texto original

O CAPTAIN! my Captain!
Walt Whitman

O CAPTAIN! my Captain! our fearful trip is done;
The ship has weather’d every rack, the prize we sought is won;
The port is near, the bells I hear, the people all exulting,
While follow eyes the steady keel, the vessel grim and daring:
But O heart! heart! heart!
O the bleeding drops of red,
Where on the deck my Captain lies,
Fallen cold and dead.

O Captain! my Captain! rise up and hear the bells;
Rise up—for you the flag is flung—for you the bugle trills;
For you bouquets and ribbon’d wreaths—for you the shores a-crowding;
For you they call, the swaying mass, their eager faces turning;
Here Captain! dear father!
This arm beneath your head;
It is some dream that on the deck,
You’ve fallen cold and dead.

My Captain does not answer, his lips are pale and still;
My father does not feel my arm, he has no pulse nor will;
The ship is anchor’d safe and sound, its voyage closed and done;
From fearful trip, the victor ship, comes in with object won;
Exult, O shores, and ring, O bells!
But I, with mournful tread,
Walk the deck my Captain lies,
Fallen cold and dead.

4 comentários:

Lou Mello disse...

Você subiu na mesa para escrever esse post? No seu lugar, eu subiria.

Fábio Adiron disse...

Não Lou, no meu caso, a admiração por Whitman precede os poetas mortos...risos

Lucila disse...

Talvez subir na mesa seja meio over, mas é daqueles para ler em pé!!!

Vilma disse...

Esse seu sangue está com cara de catchup(rs).Na próxima não troque linguiça por salsicha.