sábado, 29 de março de 2008

Contículo paranomásico

Desde o tempo trêmulo quem toda gente homenageava Januária na janela, eu passo, penso e peço que ela me faça a corte e me corto todo por dentro.

Um dia, quando usava uma saia em diminuto comprimento dela recebi um inesperado cumprimento o que me fez augurar que, com tais premissas, poderíamos retornar às nossa primícias.

Que nada. Foi só um engano estranho. Eu, que temi e tremi na esperança de casar e, do altar, levá-la para casa, percebi o som e o sentido da solidão. Ela não passaria minhas calças, nem passaria perto de mim.

Nunca fui capaz, como um rio, de lavar do límpido a mágoa da mancha. Ela sabia que eu não procurava nem luxo nem lixo, mas por causa dos privados fui privado da sua presença.

Pulei de um morro e quase morro. Foi como se uma fratura acabasse com minha fartura de paixão. Como se nada mais me importasse, senão exportar minhas agruras.

Eu, apenas uma mola de uma engrenagem que não amola, comecei viver de esmola.

Enviei-lhe violetas violentas com um cartão: nunca mais passo carão.

Agradecimentos a Chico Buarque, Thiago de Mello e Padre Antonio Vieira que sempre paranomasiaram perfeitamente.

*Paronomásia: aproximação de palavras de sons parecidos, mas de significados distintos

3 comentários:

Vilma disse...

Na próxima, envie-lhe cravos de defuntos,que você economiza no cartão.

malmal disse...

ah! que delicia te ler assim nessas brincadeiras com as palavras, bom demais !!!

bom findi... e bijos

Taty disse...

Paranomásia foi inventada só pra se ler o texto + vezes, hahahaha.