domingo, 10 de fevereiro de 2008

Sabe Deus que angústia te acompanhou

Sai-me dos dedos a carícia sem causa,
Sai-me dos dedos...
No vento, ao passar,
A carícia que vaga sem destino nem fim,
A carícia perdida, quem a recolherá?
Posso amar esta noite com piedade infinita,
Posso amar ao primeiro que conseguir chegar.
Ninguém chega. Estão sós os floridos caminhos.
A carícia perdida, andará... andará...
Se nos olhos te beijarem esta noite, viajante,
Se estremece os ramos um doce suspirar,
Se te aperta os dedos uma mão pequena
Que te toma e te deixa, que te engana e se vai.
Se não vês essa mão, nem essa boca que beija,
Se é o ar quem tece a ilusão de beijar,
Ah, viajante, que tens como o céu os olhos,
No vento fundida, me reconhecerás?

(Alfonsina Storni)

4 comentários:

ZéMoa disse...

Lindo. Esta semana que passou resgatei um cd da Mercedes Sosa cantando Violeta Parra. Sincronicidades. Adoro elas.

Sandra Mary disse...

Adoro Mercedes Sosa - La Negra - e esta é uma das suas interpretações que eu mais gosto. Isso sem contar a história de Alfonsina, que assim que saiu da Suiça, erradicou-se exatamente na província onde eu nasci ...

Taty disse...

Senti um leve ar de melancolia ou sei lá! Mercedes Sosa foi uma cantora que curti mto no fim dos anos 70.

malmal disse...

perfeito, adoro as duas, queria ser grande assim..

bijim