quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Oximorose


Dedicado a Luiz Vaz de Camões autor do maior oxímoro da língua portuguesa*


Anabell acreditava que o amor transcendia todas as antinomias mundanas. Na sua lúcida loucura que ela exercia com uma espontaneidade calculada começou a sair com um ilustre desconhecido vindo do movimento apolítico que combatia a ditadura democrática.

Na sua guerra santa contra o socialismo de mercado sempre discriminou positivamente num breve discurso contra os políticos honestos. Na sua autêntica falsificação acabou se enredando com valente covardia numa realidade ficcional onde ouvia música silenciosa na sua varanda de obscura claridade.

Esse claro enigma foi alvo de boatos fidedignos que espalhavam mentiras sincera sob a inocente culpa de ambos, veiculados em todas as televisões educativas.

Anabell com sua típica humildade argentina perpetrou com seu amante um tácito tumulto só controlado com gelo fervente, que fez daquele um instante eterno.

Depois disso só restou um longo silêncio eloqüente e a relação entrou em crescimento negativo.


Oxímoro é o enunciado contraditório onde na conjunção de duas proposições uma é a negação ou implica na negação da outra.

Soneto*

Amor é fogo que arde sem se ver,
É ferida que dói, e não se sente;
É um contentamento descontente,
É dor que desatina sem doer.
É um não querer mais que bem querer;
É solitário andar por entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É cuidar que se ganha em se perder.
É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É ter com quem nos mata, lealdade.
Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?

2 comentários:

Vilma disse...

Diabólicamente santo, sem contrastes.

Ps: grata por não precisar ir no dicionário procurar por oxímoro.

malmal disse...

perfeito,pra combinar com o poema, mais que perfeito]]]

bijim