quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Olhares - pequeno poema em prosa

Olhos verdes. Por algum motivo aqueles olhos me perseguiram por muito tempo.

Tempos de idas e voltas, de perdas e de achados. Nunca soube exatamente se estava descobrindo algo ou só me defrontando com algum tipo de enigma.

Decifra-nos, eles pediam. Eu não conseguia, e me devorava em incertezas. Mesmo essas, de alguma forma obscura me davam prazer. E eu devolvia as mensagens com olhares que não diziam nada.

Nem poderiam. Se não conseguia desvendar o mistério que eles me propunham, o meu olhar era só perplexidade.

Paralisado. Nem meus dedos não se permitiam afagos, nem passeios pelas ruas desertas da cidade abandonada. Pedras rasgadas, incolores, sem sequer um pouco de limo. Secura absoluta. E mesmo assim brilhavam.

Um misto de ódio e ternura vagava nos meus sonhos. Uma alegria confusa no espaço onírico. Totalmente sem sentido.

Nunca soube se brilharam para mim. Eles continuam brilhando e eu continuo sem saber. Um rosto de vertigem.

Enquanto isso ela voa com suas asas de ilusão e pousa nas rochas da minha memória.

Sem nunca saber se são verdes mesmo, ou azuis.

3 comentários:

Vilma disse...

Para essas dúvidas, antes de olhar nos olhos, peça para ver a caixa em que vieram as lentes de contato...deve ser verde azulado ou azul esverdeado... hahahahahaha

Quando o filme é de terror, olho sempre a guia da tela no cinema, assim, sabendo que é somente um filme,me acalmo,perco a emoção, mas não a noite de sono... kkkkkk

malmal disse...

a cor nem importa, mesmo porque daltonismo é uma característica predominante masculina...
a duvida tempera e te ler todos os dias me faz caminhar a outros mundos..

bijim

Taty disse...

A última frase do poema lembou a cor dos meus olhos: verdes ou azuis?
Olhos verdes são lindos! Enigmáticos, misteriosos, charmosos e dúbios.