quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Um cara grudento

Na primeira vez que ele usou a expressão ela odiou.

Suas lembranças a respeito do bicho eram as piores possíveis. Recordações da fazenda dos avós aonde ela costumava passar as férias, na sua infância e, não poucas vezes, fora vítimas deles.

Os processos caseiros para se livrar de cada um que tinha se apegado à sua pela eram dolorosos. Até arsênico chegaram a usar, quando a infestação era pior.

Tentou convencê-lo de que não era exatamente aquele apelido carinhoso que ela gostaria de usar para se referir a ele.

Alegou que ele não era um parasita. Ele disse que era paradão nela.

Tentou a questão da hematofagia, até porque ele detestava ver sangue. Mas ele alegou que ela corria na suas veias.

Sua última cartada foi dizer que o bicho era um transmissor de doenças. Ele sabia. Respondeu que quando ela estava longe ele ficava com uma tristeza bovina.

Desistiu de tentar fazê-lo mudar de idéia, mas se recusava a chamá-lo daquele jeito. Ele começou a provocá-la. Deu-lhe um exemplar de gesso que ele mesmo fizera.

Ela não gostou muito, mas não podia jogar fora um presente dele. E os bichos foram se acumulando. De cerâmica, de mármore, de metal.

Até o dia que ele arranjou um ourives que lhe fez um broche em platina com a cabeça de diamante. Aí ela se derreteu toda.

Ele realmente tinha se grudado na sua pele, e ela, apaixonada, reconheceu que ele nunca mais sairia da sua vida.

Nunca mais o chamou de meu gato. Todo mundo estranhava quando ouvia mas, para ela, ele seria para sempre o seu carrapato.

9 comentários:

Vilma Mello disse...

Cada um com o seu um, seriam dois?

beijos e bom dia!

clau disse...

Melhor carrapato que algoz...! rss
Bjs!

Rubinho Osório disse...

Carrapato?! Já sei! Ele era um chato!!!

Lucila disse...

Diamonds are a girl's best friend!!!
Já dizia uma certa loira... hehe

beijos

Raquel disse...

Um gato,com carrapato,dá trabalho...

Chris Rodrigues disse...

Te linkei...agora não foges mais...hehehehehe

Bel disse...

Eita, um carrapato de diamante, eu também queria!

Esse mês eu acho que tô fora da antologia.. mas foi por uma boa causa. ;)

Bjo!

Anônimo disse...

Socorro! detesto grudento, romântico chato não dá.Poderia dizer como na música de Chico Buarque: ...quero ficar no seu corpo feito tatuagem...~

beijos

Fábio Adiron disse...

Rubinho: o chato já é um outro tipo de parasita..hehe

Bel: você que pensa