sexta-feira, 21 de agosto de 2009

O elo perdido

Sérgio sempre teve a impressão que era um homem incompleto. Passou a vida em busca do que ele sentia que lhe faltava.

No começo achou que o conhecimento seria a chave de tudo. Estudou e leu tudo que teve chance.

Formado em três faculdades de áreas diferentes era uma pessoa de cultura geral vastíssima.

Com tanta competência, nunca lhe faltou trabalho, e bem remunerado.

Mas nem o conhecimento nem o dinheiro tiraram dele a sensação de incompletude.

A religião atendia todas as suas necessidades espirituais. Mas ainda sentia falta de algo.

Os amigos lhe diziam que precisava encontrar sua alma-gêmea. Ele não acreditava que existisse essa entidade.

Além do que, para que precisaria de uma gêmea ? Se fosse gêmea mesmo lhe faltaria a mesma coisa que faltava nele.

Um dia, passeava pelos corredores do museu de arte quando, ao longe, avistou Stella sentada em frente a uma escultura de Henry Moore.

Bela mulher, pensou. Além disso parece ter bom gosto. Se aproximou. Puxou conversa sobre a obra de arte (a escultura, é claro).

Ela sorriu para ele e disse: há horas estou sentada aqui tentando entender o que é isso. Mas acho que me falta algo.

Sérgio sentiu um arrepio que se espalhou tranversalmente no seu corpo. Era isso.

Naquele dia descobriu que se apaixonar é encontrar a unidade perdida no outro.

5 comentários:

Vilma Mello disse...

Que bela geometria

beijos

Virginia disse...

Mesmo não fazendo a mínima ideia do que nos falta, nunca devemos desistir de procurar...o resultado não é um achado, e sim um reconhecimento...falamos para nós mesmos...era isso....

Anônimo disse...

Bela dedução. Eh bom encontrar o que nos falta, na falta do outro.
Bingo!
beijos

Raquel disse...

Simples,assim.....

Juliana disse...

Li esse depois da história de amor aí em cima. No fundo, as duas são a mesma história, não ?