terça-feira, 4 de agosto de 2009

Contículo adverbial de tempo

Hoje, logo que acordei, olhei pela janela. Primeiro na direção das montanhas, como faço de quando em quando.

Amiúde o faço também na direção dos prédios, mas de forma breve, imediatamente minha atenção se dispersa.

De repente, pousou na minha sacada, uma sabiá, que bicou sucessivamente a cheflera.

Às vezes a planta costuma revidar mas jamais de manhã. Costuma fazê-lo constantemente à noite, ainda que rapidamente.

Conclui que, hoje em dia, os seres vivos, dantes tranquilos e pacíficos, não esperam mais o amanhã para executar sua vingança.

Entrementes, observei uma revoada de pardais como jamais tinha visto. Agora vão pousar no parque, pensei.

Provisoriamente pararam sobre o pináculo do templo, outrora habitado por pombas.

Como o sino tocava de tempos em tempos, as columbiformes abandonaram o local e nunca voltaram.

Antigamente, antes que houvesse sino ou igreja, ainda era sempre possível se avistar até macucos.

Depois disso, então, foram-se as maritacas, em breve as andorinhas e, enfim, os colibris.

Ontem à tarde, alguns anus se arriscaram, depois a fumaça, ora negra, ora cinza, os espantou.

Cedo ou tarde não restarão nem os mosquitos. A qualquer momento, afinal, se extinguirão todos os seres aéreos.

Já que nada posso fazer, doravante deixarei de lamentar.

7 comentários:

clau disse...

...visoes de um "apocalipse privado": mas tenha a certeza que os mosquitos, estes, restarao!!...
Bjs!

Vilma Mello disse...

No centro de Londrina restaram apenas os pombos´em enorme quantidade, como não há mais predadores eles se reproduzem em número assustador e disseminam doenças.Eu moro longe do centro, ainda consigo ver colerinhas, bem-tevis, pardais e beija flores, um espetáculo lindo que eu aproveito muito, porque sei que logo eles também irão embora.Nossa isso parece uma carta...rs

Beijos

Vilma

Bel disse...

Esse foi direto para a sala de aula da 7a. série, via e-mail para minha prima, professora de português, que adora usar seus textos!
Bjo!!!

Sandra Mary disse...

Já o meu apocalipse privado me diz que, além dos mosquitos, as baratas e as formigas também restarão ...

Anônimo disse...

...
A recordação é uma traição à natureza,
Porque a natureza de ontem não é a natureza.
O que foi não é nada, e lembrar é não ver.
Passa,ave,passa,e ensina-me a passar! (Fernando Pessoa)

Ainda bem, que onde moro há sempre muitos passáros a cantar. Isso também é uma boa companhia.
beijos

Rubinho Osório disse...

Bem disse a Sandra: sobreviverão as baratas, sem dúvida!

JAIRCLOPES disse...

O homem ocupa o Planeta como se este estivesse vazio, sem qualquer respeito aos outros ocupantes. O futuro será exatamente esse: o homem continuará ocupando um planeta vazio de outros seres vivos.