terça-feira, 14 de julho de 2009

Invasão de privacidade

Quando eu passei pela porta da loja, as duas me olharam com cara de desconfiadas. Não era a primeira vez, certamente não será a última que eu praticava essa invasão de privacidade.

Ainda jovem e solteiro eu já aprontava dessas. Afinal de contas, que lugar melhor para comprar presentes para uma mulher do que numa loja de artigos femininos?

Já comprei vestidos, saias, blusas, perfumes. No sábado passado foi numa loja de roupa esportiva para mulheres, onde fui comprar uma para a minha sobrinha que fez aniversário.

Sempre tenho a impressão que estou violentando um habitat onde eu não deveria entrar. Sei que isso soa muito machista mas, nesse caso específico, quem está sendo machista são as vendedoras e as clientes dessas lojas, que me fuzilam com seus olhares.

Não faço a menor idéia do que passa pela cabeça delas. Se eu sou um curioso, um assaltante ou um tarado. Certamente nunca me imaginam como um possível cliente.

Se, nas lojas de roupas, eu recebo esses olhares intrigados, pior são duas outras situações. Outro dia entrei numa loja de perfumes em busca de um gloss (não, eu não estou usando gloss) e duas clientes que estavam no balcão, observando-me olhar os tubinhos, disseram: os perfumes masculinos estão do outro lado...

Imbatível mesmo, quase hilariante, é quando invento de entrar sozinho numa loja de lingerie. Mesmo porque, se estou acompanhado de uma mulher eu só passo por marido repressor o que parece não incomodar. Primeiro as vendedoras ficam olhando umas para as outras tentando se livrar da obrigação de me atender.

Quando finalmente uma delas é enviada para o sacrifício, ela nunca sabe muito bem o que me oferecer (mesmo quando sou explícito sobre o que quero comprar). Quando acho o que quero, a vendedora nunca se arrisca a me oferecer algo mais (como faria com qualquer outra cliente).

Ainda não descobri se no universo do habitat feminino existe algum tipo de loja mais restrita do que essa. Mas se tiver, uma hora vou visitar só para saber o que é que acontece...

7 comentários:

Bel disse...

Além de machismo, burrice. Elas ainda não aprenderam que qualquer um é um consumidor em potencial. Existe uma frase clássica que diz isso de maneira sistematizada e/ou engraçadinha, mas pra variar, eu não lembro. Mas que hay, hay. ;)

(Eu imagino sua cara de 'transgressor consciente' numa situação dessas!hahahahahahaha)

Elis Zampieri disse...

Eu me rendo! É por essas e outras que muitas vezes eu admiro os homens! Eles achariam divertidíssimo se a situação fosse inversa. Em se tratando de senso de humor, eles nos dão um banho!

Rubinho Osório disse...

Ô seo pervertido, descarado, sem-vergonha!!! Tome tento rapaz!!! Onde já se viu invadir esse locais impróprios a homens de respeito!!! Daqui a pouco você vai ter a ousadia de dizer que cozinhar não é coisa de mulher... só falta essa agora!!!
Tome tento!!!

Lou Mello disse...

Sei, sei, conta outra agora, essa foi boa.

clau disse...

Sempre muito divertida esta experiencia de se entrar em universos reservados a um ou a outro sexo ou à uma "classe especial".
Normalmente eu tb faço muito isto, de enxerida que sou.
Mas informada à altura para afrontar o desafio ou o "descaramento". rss
Ou por acaso e por exemplo, alguèm pensa que em loja de brinquedos sò pode entrar criança...?rss
Siga em frente, Fabio!
Bjs!

Anônimo disse...

hahaha, isso deve ser como uma mulher entrar numa oficina mecânica sozinha, pedir para avaliarem, mandar fazer o conserto e antes de assinar o pedido o mecânico diz em tom solene: A senhora não gostaria de ligar primeiro para seu marido?

Já aconteceu comigo...

Beijos de terça

Vilma

Juliana Lucy disse...

Machistas... e se você gostasse de usar um gloss de vez em quando? E lingerie feminina? é beem mais confortável que certas cuecas!

pra ser vendedor não pode ter preconceitos/fato!

adorei seu post!
[e, não, você não me conhece]

:D