segunda-feira, 27 de julho de 2009

A falácia de Drummond

Eu sou um grande fã do Drummond, aquele cara que um anjo mandou ser canhoto. O que não significa que eu concorde com ele o tempo todo.

Aliás, acho-o tremendamente falacioso quando escreve seu poema Consolo na praia.

Primeiro porque o poema não traz consolo nenhum. Sempre fiquei em dúvida se sua sugestão de se lançar nun nas águas é uma forma de libertação ou uma incitação ao suicídio.

O ponto crítico do poema, no entanto, é quando ele diz:

O primeiro amor passou.
O segundo amor passou.
O terceiro amor passou.
Mas o coração continua.


Como assim ? Primeiro, segundo, terceiro ? Ainda virão outros?

Amor que passa assim tão despreocupado não é amor nenhum. Até acredito que a pessoa amada possa passar, mas se era amor mesmo, o sentimento não passa nunca mais.

Ah... você vai me dizer que aquele sentimento passou? Então devia ser uma paixão momentânea. Podia ser uma atração intelectual ou física, talvez um carinho diferente.

Amor que é amor é único.

Amor que é amor não diminui nunca (outra falácia, a idéia de que o amor atinge um auge e depois se acomoda), mas aumenta a cada dia.

Amor que é amor é sempre o primeiro e o último.

Amor que é amor, é incondicional. Não exige, não culpa e, por isso, não precisa de perdão.

E só acontece uma vez na vida.

10 comentários:

Lou Mello disse...

Também acho que se você escrevesse o poema ficaria melhor. Mas, ele se precipitou...

Virgi disse...

Bem que eu te disse uma vez primo que as histórias de amor não têm fim, e digo mais, nem começo elas têm....sempre existiram, só estavam esperando o momento de serem descobertas...por isso, concordo plenamente com você. Amor que é amor é único, sempre existiu e sempre existirá. Beijinhos...

Vilma Mello disse...

Amor de verdade só morre de amor

Beijos de segunda

Ana disse...

Concordo plenamente...

Anônimo disse...

Falácia... discurso... bem , o que atrapalha mesmo é a falta de oportunidade para vive-lo.
Boa semana!
beijos

clau disse...

Fabio, eu concordo em tudo o que vc disse.
Falacia em amor nao combina!...
Se o amor "passou" é pq nunca esteve.
Raiva passa, dinheiro passa e a gente tb passa desta para melhor.
Creio que o que existe, sim, e que pode nunca passar, seja a incapacidade de amar.
Dai se mover de paixao em paixao, continuamente.
Pq amor se constroi e torna-se forte, e paixao sò se sente e é efemera...
Pq este amor que sempre "passa" é inerte enquanto o amor que é verdadeiro, este flui.
Enfim...
Bjs!

Fábio Adiron disse...

Nada como um grupo de leitores apaixonados. Fazia tempo que um texto não fazia tanto sucesso.

Anônimo disse...

Uau, ainda bem que não sou só euzinha que penso e sinto assim...
Bjokas e ótimo fds...

Ellah disse...

Desculpe-me.... o comentário acima é meu, risos, clikei o trem errado...

Anônimo disse...

Amor sempre é.
Amor é sempre presente, do indicativo, pra sempre.
E há tantos amores, únicos, sim, porque, cada encontro é singular, assim como cada um dos nossos amados filhos.
Isso dá o que pensar...