quinta-feira, 16 de julho de 2009

Envelhecendo com classe



Sempre que viajo para fora do Brasil vou atrás de discos de músicos locais. Foi assim que descobri Los prisioneiros no Chile, Lask na Alemanha e Lavay Smith em New Orleans.

Em 1987 fui para a Argentina e voltei com dois LP´s de um cara que começava a fazer sucesso por lá. Um se chamava Giros e o outro Corazón Clandestino. O sujeito era um pouco mais novo que eu, alguém da minha geração.

Tentei acompanhá-lo por um tempo mas, já nessa época, nossas lojas de discos ignoravam solenemente a América Latina e foi só quando os Paralamas do Sucesso começaram a fazer um intercâmbio com os nosso amigos del Sur que os seus trabalhos começaram a chegar por aqui, assim como os de Charly Garcia, bem mais velho que ele.

Ele tem uma coleção de sucessos que vão do rock explícito a baladas românticas. Era fã de uma Gibson Les Paul e tinha uma aparência que lembrava uma mistura de rockeiro com jogador de futebol argentino da década de 70.

Eu fui envelhecendo. Ele também. Suas músicas não deixaram de ser alegres e agitadas, mas começaram a ganhar um componente que não tinham, maturidade.

Maturidade nas melodias, nas letras, nos arranjos e nos temas. No seu penúltimo disco "El mundo cabe en una cancion" isso é evidente. Ele não fala mais como membro da juventude transviada, mas como um homem caseiro e como pai.

Outro dia descobri que seu último disco tinha saído no Brasil. É de um show que fez em Madri no ano passado. Comprei.

O disco não traz músicas inéditas, mas é como se fossem. A abordagem dos seus grandes sucessos é tão diferente das gravações originais (talvez com exceção de Un vestido y una flor) que parece outro músico.

Da primeira à última música ele se debruça sobre o que parece ser um Steinway com uma delicadeza incomum para quem já tinha cantado La naturaleza Sangre. É acompanhados por violoncello, por trompete , claro, por excelente guitarras acústicas.

Além disso, não se envergonha de trazer convidados que tem vozes muito melhores que a dele. Gente do quilate de Joaquin Sabina, Pablo Milanes e Gala Evora.

No sé si es Baires o Madrid é o novo disco de Fito Paez. Compre o disco, o DVD, faça download para o seu iPod, ouça no You Tube. Vale qualquer coisa, mas não perca o passeio pela roda mágica.

Ah...a aparência dele também mudou. Agora já tem cara de ser um senhor.

E eu só trocaria "11 y 6" por "13 y 5", mas cada um gosta mais de alguns números que outros.

6 comentários:

Anônimo disse...

Seu gosto para música é no mínimo diferente.Ando procurando músicas novas e às vezes nem sei por onde começar.Deve ser a idade rs.A canção é linda e de muito bom gosto.

Beijos de quinta

Vilma

Rubinho Osório disse...

Com classe, sem dúvida! Espero que eu também tenha um "poquito" de classe ao envelhecer...
Tua lembrança me fez lembrar-me de Silvio Rodriguez, outro autor daqueles tempos...

Juliana disse...

Amor que mata não morre nunca, que coisa mais linda.

Anônimo disse...

Linda música! lembrou-me Neruda...
...Talvez não ser é ser sem que tu sejas...estou também ficando velhinha.
beijos

clau disse...

Pois é...
Para algumas pessoas emvelhecer faz um bem danado e em todos os sentidos!
Mas o fato é que, infelizmente, tem um monte delas em que isto nao resolve nada e ao contrario, sò piora as coisas...rss
Menos mal nao ser este um destes casos...!

Bjs!

Paulo de Tarso disse...

Fábio, "Un vestido y una flor" é um dos grandes exemplos (outro seria "Caça da raposa, de Bosco/Blac) de músicas que, depois de uma grande gravação de outrem, o autor não deveria jamais cantá-la, para não apequenar-se. Depois de ouvir "A Caça" cantada por Elis e "Un vestido", por Caetano, é constrangedor desconfiar que Bosco e Fito não entenderam a marcação e a densidade de suas próprias músicas.
Principalmente com músicas tão grandes!!
Quem compõe tão bem deveria entregar a outros mais talentosos a tarefa de cantá-las.
Empero... Fito e João são maravilhosos e até mesmo cantam muito bem a maioria de suas próprias músicas.