quarta-feira, 24 de outubro de 2007

Farmacopéia amorosa


Apaixonar-se é um ato muito estressante para o corpo, afirmou a pesquisadora italiana Donatella Marazziti durante o 25º Congresso Brasileiro de Psiquiatria que aconteceu esse mês. A ilustre doutora, como cientista que é, limitou-se à análise das reações bioquímicas provocadas por paixonites crônicas e também as agudas, mesmo porque o congresso era técnico e não caberia a ela entrar em detalhes a respeito da sua vida privada.

O que não significa que eu deixe de ler frequentemente a respeito das propriedades saudáveis do sorriso , do beijo, do ato sexual, ou seja, nada como uma boa relação amorosa para acabar com o sedentarismo e manter a boa forma, exatamente o contrário do que preconiza a Dona Tella. Aparentemente os endocrinologistas não concordam com os bioquímicos. O que, também, não é nenhuma surpresa para quem convive com o mundo acadêmico. Como eu não gosto e entendo neres de pitibiriba sobre as ciências biológicas, recolho-me à minha ignorância e prefiro os segundos à primeira. Mesmo porque, sorrir, beijar e amar é muito mais divertido do que reprimir paixões. Nunca vou perder a oportunidade de alimentar esse tipo de stress.

No entanto, eu já passei por uma relação bioquímica passional. Quando tinha 16, 17 anos, namorava uma menina que trabalhava numa farmácia, o que fazia que muitos dos nossos encontros fossem entre prateleiras de medicamentos, geralmente nas horas de almoço quando o seu pai (dono da farmácia), não estava lá. Por sinal, o horário de chegada do pai, com cara de bravo, era a única fonte de stress dessa paixão. Dela surgiu a Farmacopéia Amorosa. Um poema bem bobinho e juvenil, que eu ainda acho divertido.


Farmacopéia amorosa

(1978)


Calmantes
Revigorantes
Vitaminas
Tiaminas.
Bulas , engulas.

Para o tédio
Há remédio
No coração
Uma injeção
Se tens pena
Cibalena.

Se me rogas
Tome drogas
Se és altivo
Um curativo
Na paixão
Põe-se algodão.

Vives mal?
Um melhoral
Antipatia
Homeopatia
Mal afamado
Agora é tarjado.

Mas só tua beleza
Pode curar minha tristeza

7 comentários:

Pessoa Comun disse...

meiguino demais...e vc desde cedo um gozador...

seguirei os sábios conselhos da tabelinha amarela e decreto aberta a temporada da lasanha, de manhã, de tarde e de noite...sei não se vai funcionar,mas tentarei aqui em casa..

bijo de picolé .hehhe

malmal

Cristiana Soares disse...

Que fofo o poema :-) A sua namorada filha do farmacêutico deve ter gostado :-)

Mas não entendi o que tem de contraditório entre o stress provocado pela paixão e a boa forma tb causada por ela. No fundo são a mesma coisa. A gente emagrece porque come menos (paixão tira a fome) e tb pela queima de calorias pelo stress e através dos beijos e tudo mais.

Na verdade, a tensão sexual e o medo de achar que nunca se é correspondido à altura (típico de uma pessoa apaixonada) são stressantes sim.

Fora o sentimento de dependência, de achar que nunca mais poderemos viver sem o objeto de desejo...

Depois que a enxurrada bioquímica passa, vem a bonança... hehehe...

Cristiana Soares disse...

Não entendi essa parte:

"Pelas reações biológicas envolvidas, os homens teriam que se comportar como uma mulher e vice-versa para amenizar os efeitos"

Já li certa vez que os homens ficam mais mansinhos (sem agressividade) quando estão apaixonados... será que tem a ver com isso?

Fábio Adiron disse...

As mulheres ficam menos mansinhas ??? Se for, deve ser isso.

Cristiana Soares disse...

Hahahah... vai ver então que elas ficam mais agressivas... hehehe... deve ser...

Vilma disse...

Ainda bem que a tabelinha ficou só nos beijos, assim nunca saberemos realmente quem são os mal amados, ou menos apaixonados.

Alice disse...

Passionalidade... consome 90% da energia latente.. os outros 10% são o suficiente para te manter vivo.
Por momentos, em uma paixão vc não é nada além de 10%.
Não precisa comer, não precisa beber, muito menos dormir... respirar é mais do que o suficiente.
Quando se é novo então!
Viva as prateleiras da fármacia.. agora depois q o tempo passa essa tabelinha é maravilhosa!!
... tb Viva ao vazio na barriga quando é por uma paixão!

Beijo chato...carinho a chata...rs