sexta-feira, 26 de outubro de 2007

Dispersando catabólitos


Outro dia eu conversava com uma pessoa a respeito do lixo. Sim, você leu direito. Lixo. Tudo aquilo que não nos serve mais e jogamos fora. Os nossos dicionários definem a palavra como sendo: coisas inúteis, imprestáveis, velhas, sem valor; aquilo que se varre para tornar limpa uma casa ou uma cidade; entulho; qualquer material produzido pelo homem que perde a utilidade e é descartado.

Nem todo lixo deveria ser definido como tal. Muito do que jogamos fora e consideramos sem valor pode ser aproveitado por outras pessoas. Ou seja, se ainda tem alguma utilidade, deixa de ser lixo. Não deveria nem ser chamado de lixo reciclável, mas de matéria prima de outros processos de produção.

Aí hoje eu aprendi outra palavra bonita : catabólitos.

Calma, eu já explico : catabólitos são os "restos", ou seja, o "lixo" que sobra na degradação (catabolismo) das substâncias no organismo. Aquilo que o organismo não precisa mais e joga fora. Pelo que eu entendi de quem explicou isso (obrigado Denise), a não eliminação desse lixo pelo corpo pode provocar uma série de problemas de saúde. Nesse caso, eu imagino não existem catabólitos recicláveis.

Muita gente gosta de guardar dentro de si uma série coisas que deveriam ser descartadas. Provavelmente foram úteis em algum momento. Elas, no entanto, ou não perceberam que esses produtos não servem mais. Perderam seus prazos de validade. Apodreceram e são nocivos ao consumo e distribuição. Também existe a possibilidade que estejam passando por uma fase de baixo catabolismo intelectual (o que não é eliminado provoca sérios problemas de relacionamento pessoal), ou que as suas vias de eliminação suponham que estes deveriam ser reciclados por outras pessoas.

Não pesquisei qual seria a melhor solução para o caso, mas, pelo menos, essas pessoas poderiam tentar descobrir quais as melhores vias de eliminação desses catabólitos que não fossem para cima de nós...

Apesar de ser recipente de vários catabólitos, também me peguei refletindo sobre o que valeria a pena reciclar e o que deveria ir para o lixão.

Agora, se você concluiu que esse texto é um lixo, é bem provável que eu tenha catabolizado em você.

8 comentários:

Lully disse...

Simplesmente ADOREI!!
Ainda, segundo Bauman, o ato de criação, sugere a separação ou a remoção do lixo.
Ele cita que a mente moderna nasceu juntamente com a idéia de que o mundo pode ser transformado.
Então, pq não podemos transformar ou abortar nossos "lixos" internos?
O que virou lixo para alguns, ainda pode ser de grande valia para outros!

Denise disse...

Fábio,
Excelente!

Sabe que eu mesma nunca havia pensado nos meus catabólitos emocionais?
Fico feliz que você tenha aproveitado tão bem o novo conceito.

Um abraço,
Denise.

Anônimo disse...

hummmmm...interessante, vou terminar a minha faxina pessoal este findi...

tem até sol, pra tirar coisinhas mofadas e bolorentas que incomodam..

bijim de sol e bom findi
malmal

Anônimo disse...

Fábio,
Adorei o texto, o novo conceito, a reflexão provocada.
Sempre soube separar materiais a serem reaproveitados, muito antes desta onda de reciclagem.
Sou expert em faxinas variadas aqui em casa.
Sempre penso nos meus catabólicos, ainda que eu não soubesse até hoje da existência desta palavra.
A grande dificuldade, no entanto, é saber livrar-se dos catabólicos emocionais!
Abraço,
Diva Calles
27/10/07

mayra disse...

Fábio, parabéns pelo texto!
Fiquei um bom tempo refletindo!!!
Um abraço, Mayra

Anônimo disse...

Alice
(a opção Anonima era a única disponivel...seu blog não me permite ser a Outra...kkk )

Uma sabedoria que devia ser quase como respirar, não acumule nada.
Nada... o que dirá os catabolítos.. sejam eles o que forem.
Se não são uteis, só ocupam espaço e acumulam poeira..enrão rua!
O desapego é dos melhores exercícios a serem feitos... agora os catabólitos emocionais nem para os outros servem não?!.. acho que passam logo para o patamar de Lixão mesmo.
:-D

Adorei chato...rs
Beijo grande da chata carioca..hehehe

Cristiana Soares disse...

A sabedoria oriental já diz que para as coisas novas virem devemos nos livras das velhas... fazer as energias fluírem.

E o que é catabólito para mim pode ser energia para outro... como a troca de gás carbônico e oxigênio. Por que não?

Beijim na ponta do nariz, Fábio!

Vilma disse...

Como disse minha irmã no fim de semana: " Vilma, guardar coisas velhas e imprestáveis é coisa de pobre". Tá confirmado.