sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

Contículo ecóico


Meu irmão sofria do coração naquela ocasião em que, acusado, foi interrogado pelo magistrado. No momento do julgamento voltando-se para mim assim falou o Serafim : será que o coordenador dava grande valor a seu superior ? Imagino que sim, disse eu enfim, ele também era um cara do bem e não ofendia ninguém. Serafim me olhou com desdém. Você sabe que nada o detém.

No dia seguinte, como que por acinte, ele ofendeu um pedinte, mas a decisão da ação não causou comoção na população. O homem pedia alimento para fomentar seu desenvolvimento e, naquele momento, sentado no cimento apenas soltou um lamento. Logo criou-se uma aglomeração para admirar a acareação do cidadão mas, por afobação ou erro da administração, um deles caiu em contradição o que impediu a apuração da agressão. O sentimento da massa pedia o apedrejamento, sem direito a arrependimento. Um homem virulento gritou : eu te arrebento seu sebento.

O evento quase teve um final sangrento quando um guarda sardento, saiu em defesa do homem que morava ao relento, mas o sargento do policiamento, promovido por merecimento, chamou o grupamento e levou todos para o estacionamento. Meu irmão fez um juramento , que logo cairia no esquecimento, de nunca mais causar constrangimento. Pegou seu equipamento e afastou-se pachorrento.

Ele nunca teve a grandeza de evitar qualquer tristeza à família, fosse por fraqueza ou malvadeza, sempre tivemos a certeza que era uma torpeza tipicamente burguesa de quem nadava em riqueza. Eu fiz esforços para incitar seus remorsos, os amigos traziam reforços em corsos.

Até o final da vida foi um sujeito mau e nunca deu sinal que mudaria. Assim como o aluno repetente que mente alegremente, ele sómente se declarava ciente que, naquele ambiente ele bateria de frente em qualquer vivente só para ser congruente. Era sua alegria provocar agonia sem nenhuma diplomacia. Sua verborragia recheada de tirania só acabaria no dia que cessasse toda rebeldia.

Acabou assassinado ao ser apunhalado por um albergado que ele tinha achincalhado e estava alcoolizado. Seu corpo foi traslado sem cuidado, como gado preso ao arado, para a necrópole de nossa metrópole no topo da acrópole. Sua coroa de flores, sem cores nem odores, desmanchou-se nos corredores. O matador, sem nenhum pudor, conhecedor de sua fama de agressor, mostrou-se um aproveitador, mesmo sendo um contraventor sem valor. Pagou o suborno para que acendessem o forno e não existisse retorno.


Se você quiser ler os contículos anteriores são o Cacofônico e o Tautológico

4 comentários:

Vilma disse...

Com cor e odor deliciou-se no computador,não teve nenhum trabalho porque utilizou-se de um atalho, mudou e não criou, admirou a criatura que tanto lhe inspirou.

Vilma restabelecendo as sinapses de Mello

Taty disse...

Mto comprido, não li direito, preguiça............no comments.

malmal disse...

era ruim , teve um final pior...

gostei, mas um pouco , pegava o violão e cantava teu conto...

bijo

Estrela disse...

"Shopping", para aquelas garotas que ainda escondem da mãe que tem vida sexual ativa (sim, elas existem), se aproveitam do trocadilho e avisam "mãe, vou pra o shopping".