quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

Um banana sem pijamas


Nem todas as invenções humanas são úteis. Existe uma série de prêmios para invenções idiotas, o mais famoso é o Ignóbel. Para você ter uma idéia do que se trata, entre os estudos vencedores de 2007 encontram-se : a descoberta de que hamsters se recuperam de jet lag mais rapidamente quando lhes são ministradas doses de Viagra, ou a fabulosa constatação que ratos não podem distinguir entre gravações em japonês e holandês quando são tocadas de trás para frente.
Depois vocês acham que o insano sou eu.

Por outro lado, existem invenções que a maioria da humanidade acha útil mas que alguns seres como eu julgam absolutamente dispensáveis.
No fim do século XVI quando a moda dos ricos impunha o uso de um monte de roupas durante o dia, o fino do luxo era chegar ao fim do dia e colocar algo mais confortável. Nessa época surgem as camisolas que eram unissex e iam do pescoço até os pés, abertas na frente e com mangas compridas, quando fazia frio e a casa não tinha lareira eram de lã. O pouco que diferenciava as camisolas de homens e mulheres eram eventuais enfeites no pano. Dois séculos depois é que surge o negligée, só para as mulheres e de tecidos mais sofisticados como a seda, claro, nada tinha de sexy, era uma roupa para ser usada à noite ou relaxar em casa, ou seja, uma roupa para não fazer nada, em bom latim "neglegere" , se descuidar. Na mesma época, os homens começam a dividir e camisola em duas peças, encurtando o "camisão" e usando um tipo de calça largona vinda da Pérsia (a origem da palavra pijama, em persa é "roupa para as pernas"). Ou seja, o pijama levou 6 mil anos de história escrita para ser criado.

Eu me livrei dele em menos de 15 anos.

Os primeiros indicativos desse costume se manifestaram no meu primeiro dia de vida. Logo após meu nascimento a enfermeira da maternidade devolveu todas as roupinhas de bebê que haviam sido levadas para a minha avó, quase provocando uma síncope na velhinha. Nenhuma servia pois eram para recém nascidos e o moleque aqui chegara ao mundo pesando mais de quatro quilos e meio. Passei minha primeiras horas de vida sem pijama.

Mamãe bem que se esforçou nos anos seguintes comprando seguidamente pijamas bem tradicionais listrados e com botões. Ao atingir a adolescência minha rebeldia começou a se manifestar. Primeiro comecei a usar pijama sem cuecas. Passada a resistência abandonei a camisa do pijama. Demorou um pouco mais mas um dia a calça do pijama se foi. Não chegou a chocar apesar de ter causado um certo desconforto materno. Durante muitos anos eu ainda tive um pijama guardado, que eu chamava de pijama social, só apelava para ele quando ia dormir fora em algum lugar que meu hábito pudesse incomodar. Os últimos pijamas que tive foram dois que ganhei no meu enxoval, supostamente para a minha lua-de-mel (e quem é quer pijamas em lua-de-mel ??). Foram doados, não por estarem gastos mas pela constatação de só ocupavam lugar na gaveta.

Não é só em mim que eu dispenso o pijama (a camisola, o negligé, o baby doll, seja lá o nome que tenha), nunca achei que pano fosse mais sensual que pele. Talvez isso também seja um tipo de fetiche. Os corpos são sempre mais bonitos que o design de moda. Sei que um dia vão tentar me colocar num pijama de madeira, mas até esse eu dispenso, já orientei a família para doar o que prestar e queimar o resto.

Nem o que sobrar dos meus ossos estará sujeito a essa tortura.

10 comentários:

Cristiana Soares disse...

Tb dispenso. Camisolas e pijamas só servem para atrapalhar o sono. Na hora em que a gente vira na cama, eles emperram para um lado ou para o outro. Então, pra quê? Mas no inverno, quando o frio pega, aí não tem jeito. Uso underwear. Coladinho no corpo. Agora, um pijama de bolinhas é muito fofo... para as crianças :-)

braziliankitchen disse...

E eu tive que adotar o pijama depois de 25 anos de vida livre. Desde que mudei para a Califórnia, por causa do perigo de ter que sair correndo a noite, passei a usar pijama. Odeio! Muitas vezes arranco no meio da noite. Prefiro correr pelada do que dormir desconfortável.

malmal disse...

bem, aqui em casa ainda se mantém o básico necessário, afinal. divido espaços. Interessante a origem da palavra, sempre achei que viesse do francês, mas muito mais interessante é ver que as pessoas que aqui responderam tb não gostem de pijamas.
Pode-se constatar que à noite, ao menos nas nossas respectivas camas, podemos nos livrar das convenções e isso é muiiiiiiiiito bom.

bijim

Emilia disse...

Também detesto pijamas e há muito tempo que não uso.
Nas noites mais frias nada que um t-shirt não resolva... :)
Beneficios de quem vive sozinha... rsrsrsr

bjitos

Taty disse...

Bom, a vantagem do homem dormir de pijama é que a mulher pode tirar peça por peça e o mesmo acontece com o homem, tirar peça por peça do pijama da mulher, ou abaixar as alças da camisola de seda, até esta cair no chão. Aí sim, o verdadeiro pijama será bem vindo.

edith jókuthy disse...

Não usar pijamas, camisolas e derivados, não é benefício dos que moram sozinhos, apenas. Acompanhado tem as suas vantagens, mais do que sozinho. A verdade é que é bom demais não usar nada para dormir, e nas noites frias, nada melhor que ter um bom cobertor de orelha!!!

Bjks.

Vilma disse...

O que salva as fábricas de pijama da falência é que todo mundo apesar de não usar, acha que precisa de um... hahahahaha

Fábio Adiron disse...

Nada como descobertas (metafóricas e reais) a respeito dos hábitos noturnos dos meus leitores...risos

Gostei da história de usar pijama em caso de terremoto...

Claudia Camargo disse...

Fábio, gostaria de saber onde conseguiu informações sobre a história do pijama. Estou precisando, mas encontro muita dificuldade em achar informações a respeito.
Se puder me ajudar ficarei muito grata.(pode me responder pelos comentários mesmo)
Obrigada desde já.

Fábio Adiron disse...

Cláudia

Algumas indicações

http://en.wikipedia.org/wiki/Pajamas

http://www.askandyaboutclothes.com/Teasers/Teasers/PajamasHistoryof.htm