terça-feira, 18 de dezembro de 2007

Espaço aéreo gourmand


Num dos discos do MPB4, em plena ditadura militar, no comentário da capa, Millôr Fernandes escreveu : "Duro vai ser se, daqui a alguns anos, olhando para essa época, a gente diga - bons tempos, hein ?!"

Me lembrei dessa frase na minha mais recente viagem áerea. Há alguns anos, um dos comentários típicos de quem viajava de avião era falar mal da comida. Pior que essa só comida de quartel, diriam alguns. Outros apostavam como o prato seria o indefectível filet de frango com um molho misterioso e legumes cozidos no vapor. A comida sempre vinha coberta por um papel alumínio e, supostamente, estava quente. Além disso, mesmo na classe econõmica ainda serviam cerveja e, pasmem, vinho nacional.

Algumas companhias aéreas mais metidas a besta ofereciam opção de cardápio, podia ser carne ou....o bom e velho filet de frango. A Transbrasil chegou a ter aviões com classe executiva em vôos nacionais e, nesses, ainda serviam entrada e vinhos estrangeiros. O frango, provavelmente era importado. O molho era o mesmo. Caso você fosse vegetariano ou tivesse uma dieta religiosa, bastava ligar para a companhia uns dias antes do vôo e pedir um prato diferente - acho que na vegetariana vinham os legumes cozidos no molho misterioso, sem o frango. Na dieta judaica, o frango deveria ter feito o bris.

Hoje também te oferecem opções. E mais do que duas. No meu vôo eu podia escolher entre côco, banana e castanha do pará. Não, não se tratava do molho do frango, mas dos sabores das barras de cereais (se bem que um filet de frango com um molho de castanha do pará deve dar um bom prato, vou pensar numa receita...). Imaginei se seria possível ligar para a empresa e pedir uma barra de cerais não vegetariana. Na próxima eu vou tentar.

Barra de cereais também me levam de volta ao passado. Aos antigos filmes e desenhos animados de ficção científica, onde toda a comida era em barras ou pílulas. Eu mesmo experimentei a tal comida liofilizada quando estava no exército - se bem que esse não vale, como disse antes, era o único lugar onde se comia pior que em avião.

Não sei qual serão os próximos passos da gastronomia aeronáutica, a tendência é só de piorar mas, lembrando os "bons" velhos tempos do passado, será que não dá para inventar um barra de cereais sabor filet de frango ?

4 comentários:

Ana disse...

Nossa, ri muito agora com seu post......e nós dizemos que saudades do molho estranho que serviram um dia.........rs
bjus

malmal disse...

então depois disso, vejo que minhas escolhas são as mais acertadas, o lanchinho da 1001 é mais bacana, tem travisseirinho, cobertor, jornal (folha de SP ou Globo), filminho, café quentinho e agua gelada...

só contando, claro as coisas boas...

bijim de barrinha de cereais pra vc

Vilma disse...

Esses dias assisti "Cilada" do Bruno Mazzeo, tava mais ou menos parecido com essa história, só que com um agravante, além da comida péssima ( se é que barrinha de cereal possa ser considerada comida ) ele ainda estava num vôo junto com uma excursão de adolescentes...kkkkkkkkk

Taty disse...

É bons tempos eram os meus, Vasp, em que eu podia voar sempre na 1ª classe, tomar ótimos vinhos, canapés, champagne, comer em prato de porcelana com talheres de prata, dormir bem e ter um banheiro decente. Fui mal acostumada pelo meu chefe que me dava estes privilégios. Hoje em dia, "monkey class", barrinhas de cereais ( não curto e pior se inventarem a de frango! ), sucos ou no máximo um refri ( que também não curto ).
Mas no Brasil, ainda somos bem cuidados, mesmo que com barrinhas de cereais........pior é atravessar os EUA de leste a oeste ou norte a sul com saco de sanduiche caseiro ou do Starbucks pra não passar fome, a não ser que se queira gastar USD 5,00 pra comprar um sanduba fast food made in sei lá aonde, dentro do avião!