segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

Nossa (???) língua portuguesa é um cão chupando manga


" - Abriram a porta do cemitério ! " gritou Dodô abestalhado quando assuntou as quengas que estavam chegando. Dermeval achou que Dodô já estava chamando cachorro de cacho, até porque ele costumava falar mais que nega do leite. Não era mentira, chegou a fazer enxame na porta da bodega para ver, uma zuada. Era uma ruma de chave de cadeia e lambisgóias. Pensou em tirar o pé de banda, mas teve de quetar para não se arrombar.

Dodô também ameaçou abrir o gás pois sabia que iam lhe abusar. Sem quê nem pra quê resolveu provocar : " - cêis não servem nem prá quebrar cabresto..."

Uma delas respondeu : " - ô cabra arrochado, não adianta arrastar asa, é melhor ficar de bocapiu."

Mas Dodô continuou curiando, tomou outra fubuia e deu uma gaitada. : " Óxente, e você acha que eu furunfo jaburu a facão ? Só tô malinando. Lá ele , que tá de maresia, pode ser..." apontando o Dermeval. " - Ele tá de botuca, mas acho que não dá no couro não. Nem se botar pilha, já tá brôco mesmo."

Dermeval que não era de gastura, nem de perder chance de fofar, mirou uma das tribufus e, virado no cão, pegou a que tinha sinal e resolveu não botar gosto ruim. Buliu com os cambitos da moça e, mesmo azuado, falou que Dodô só sabia jogar cinco contra um, que era um chibungo cheio de pau. Mas que ele sim tinha tripé e que mesmo mulher xôxa não ia tomar um chelp com ele. " - Vamos acabar com essa xurumela que tenho arte do cão. Umbora tabaroa. que não carece nem apreçar ! "

A tabacuda nem piscou quando viu que não tinha nove horas e que Dermeval era banda voou. " - Só, meu rei..." avexada se abriu antes que o cabeça de arromba navio fizesse o balão.

A galera do mal viu que a quenga ia tirar taboca do Dermeval que mesmo tendo cara de barão estava na pindaíba. Sabiam que ele era atoleimado, nunca fora canguinha e que em qualquer cerca-lourenço ele caia. Foram tirar pergunta e segurar no pé : " - Se saia, rapa! " dizia um. " - Se prante bróder", dizia o outro. Mas nada do Dermê tomar um chá de se pique. O varapau podia bater a caçuleta mas não ia cair na taca de jeito e qualidade. Ia se queixar a migué.

Antes que ele picasse a porra e metesse um cachação em alguém, a turma tomou tenência na vida e parou de tirar idéia.

"É comer com farinha" , berrou Dodô, sempre sacrista, continuando a consumição, "vai lá, Dermê, não conta conversar que ela vai queimar a rodinha , não tem errada, tá mangaba..."

Dermeval pegou a armengue de cabelo-de-arapuã, arrodeou a carteira e emborcou na calçada cheio de pau.



Se você não viu, depois leia as duas versões anteriores : "Nossa (???) língua portuguesa" e "Nossa (???) língua portuguesa - o retorno"

4 comentários:

Vilma disse...

Fico imaginando esse povo falando desse jeito com a boca cheia de farinha... kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk,

edith jókuthy disse...

Será que no futuro (que não é tão remoto assim) teremos que fazer um curso prá entender e saber falar a nossa língua portuguesa? É de matá, ô xente......

"Me amarrota que tô passada!!!!!"

Bjs...

malmal disse...

Parece a minha auxiliar contando as histórias dela...perfeito e difícil, mas creia, tem coisa pior lá "em cima"..

bijim de boa semana

Taty disse...

Eu adoro as estórias do interior, com as expressões que só um certo povo usa.
É isso aí bro, a gente se tromba numa proxima parada....
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