domingo, 16 de dezembro de 2007

Scripta ferunt annos


Cecília Meirelles dizia que escrevia por seu canto existia e sua vida estava completa. Pessoa se dizia um fingidor. Drummond fazia crônica da não notícia e da notícia. Afinal, porque escrevemos ? Ou, pelo menos, por que é que eu escrevo ? E por quê diabos é que insisto nesse ponto de interrogação solto no espaço ?

Algumas pessoas me perguntam se a minha vida é assim agitada como os textos do Mens Insana. Crêem que cada uma das histórias é um experiência autobiográfica. Tenho de admitir que se assim fosse, eu seria o próprio paxá num harém de odaliscas, só comeria manjares e beberia néctar no Olimpo (pode reclamar, eu acabei de misturar tradições otomanas com mitologia grega, mas não esqueça que gregos e otomanos são vizinhos, além do que eu sou insano mesmo).

Já cheguei a ser repreendido pela minha infidelidade e por estar bebendo demais. Já recebi mensagens preocupadas com a tendência suicida e necrófila em algumas mensagens. Alguns têm pena dos meus filhos, por terem um ogro como pai.Claro, também não tenho a capacidade de criar ex-nihilo, essa é uma prerrogativa da essência de Deus. Posso ser metido a besta, mas nunca vou ter a pretensão de me equiparar ao Criador.

Todas as minhas histórias nascem de pequenos detalhes, cenas fugazes, frases perdidas. Pode ser a pedra na vesícula de um amigo, uma cena observada no trânsito, um sachê de açúcar na cafeteria. A partir de um detalhe começo a imaginar um situação qualquer. A situação vira história. A história vem para o blog.

Já aconteceu de eu ter ouvido uma frase engraçada e criar um texto só para justificar o uso da mesma : "Eu te amo, mas não há mais monólogo entre nós".

Muitas vezes me vi obrigado a pesquisar origens ou significados de expressões e palavras (ou você acha que eu sempre soube o que era um catabólito ou um bucinador ?), tenho de admitir que tenho aprendido um monte de coisas novas com essa minha persona blogueira.

Meus poemas, por outro lado, se enquadram numa vertente mais realista. São ou foram escritos para alguém. No passado ou no presente. Não coloco as datas intencionalmente, para não reprimir a imaginação dos meus leitores.

A prosa sempre é ficção, inclusive essa.


Scripta ferunt annos : frase de Ovídio, que significa : "Os escritos desafiam os anos"

4 comentários:

Bel disse...

Ah, eu nem me importo se é real ou ficção... e qual o motivo de escrever. Parafraseando Drummond:
Blogar, verbo intransitivo. (Já escrevi sobre isso).

Boa semana pra ti!

malmal disse...

Bem, não vou dizer que nem me importa por que ou pra quem, porque sou mulher e mulher é bicho curioso, mas sendo por que for, é sempre uma delicia ler seus escritos e poemas, virou mania, virei fã.
Agora não sabia que podia ter tanta gente preocupada com a "Verdade" de tudo isso. Mostra que vc é querido.

+ bijo

PS- suas interrogações libertas dos padrões não serão tão mais significativas depois dessa salada de por que e porquês...

anja disse...

é vicio de blogueiro mesmo né.
Sei como é.
Não tem cura.

:))

Vilma disse...

A verdade vestida para matar? Ou a falsidade trajada com honestidade? cale-se! cale-se!você me deixa louca, cálice!

Acho que você escreve porque não consegue suspirar.