terça-feira, 15 de setembro de 2009

Tristeza

Existem momentos em que eu gostaria de ser esse poeta e recolher qualquer lágrima na palma da minha mão e confortá-la no meu peito.

Como nem sempre tenho essa capacidade. Eu traio o poeta que o fazia.


Tristeza da lua

Noite. sonhava a lua preguiçosa
Como a bela, deitada, sem receios,
A mão acaricia silenciosa,
O contorno perfeito dos seus seios

Entre o cetim macio das avalanchas
Se entrega desmaiando em estertores
Passeando os olhos sobre brancas manchas
Desabrocham azuis, como fossem flores

Quando, às vezes, no mundo de prazer
Uma lágrima secreta correr,
O bom poeta ao sono nada afeito

Com mãos abertas pega a gota rala
Reflexos coloridos tal opala
Longe do sol, a recebe em seu peito.

O original é o seguinte:

Tristesses de la lune

Ce soir, la lune rêve avec plus de paresse;
Ainsi qu'une beauté, sur de nombreux coussins,
Qui d'une main distraite et légère caresse
Avant de s'endormir le contour de ses seins,

Sur le dos satiné des molles avalanches,
Mourante, elle se livre aux longues pâmoisons,
Et promène ses yeux sur les visions blanches
Qui montent dans l'azur comme des floraisons.

Quand parfois sur ce globe, en sa langueur oisive,
Elle laisse filer une larme furtive,
Un poète pieux, ennemi du sommeil,

Dans le creux de sa main prend cette larme pâle,
Aux reflets irisés comme un fragment d'opale,
Et la met dans son coeur loin des yeux du soleil.

Charles Baudelaire

5 comentários:

Vilma Mello disse...

Fico pensando que às vezes, mesmo limitados, os seres humanos, se quiserem, conseguem fazer coisa belas. Essa traição é um exemplo.

beijos de terça

Chris Rodrigues disse...

Gostei!

Anônimo disse...

Ainda bem que temos a poesia e os poetas...que nos levam para o mundo mágico.
beijos

clau disse...

Como sempre digo:traduzir uma poesia mantendo o tom dela tal e qual, é uma coisa que, prescindindo do dicionario, se faz mais com o coraçao.
E eu continuarei, por minha vez, traduzindo sò manuais tècnicos do frances ou mm, sò receitas culinarias. rss
Bjs!

Rubinho Osório disse...

Poeta não sou. De traições, sou incapaz. Deleito-me lendo as traições de quem tem alma de poeta.