sexta-feira, 11 de setembro de 2009

A insustentável lightfastness do ser

Parece ser um regra imutável. Cores quentes são menos resistentes à luz. Cores frias podem durar muito mais. Seja a luz do sol, seja à de uma anódina luminária de museu, todas absorvem luz ao invés de refleti-la. Quanto mais luz absorvem, menos sobrevivem os pigmentos, a energia luminosa os vai degradando, molécula por molécula.

A essa durabilidade da cor, os especialistas deram o nome de lightfastness, ou o grau de resistência à luz.

Por isso é que os pintorcantropus* erectus faziam sua arte rupestre em cavernas, para ter a certeza que as futuras gerações teriam a chance de conhecê-la.O único problema é que as melhores pinturas estavam nas cavernas mais escuras. Intactas, mas impossíveis de serem vistas.

Quando os artistas da idade média inventaram a tempera (no qual os pigmentos de terra eram misturados a um "colante", uma emulsão de água e gemas de ovo ou ovos inteiro) eles começaram a perder na durabilidade dos quadros. Uns por excesso de luz. Outros, por falta de qualidade, eram reciclados em omeletes.

As temperas mais fortes eram aquelas que fossem menos diluídas, que fizeram muito sucesso no México e na Bahia. Outro problema dessa tinta à base de claras em neve, é que ela secava muito rapidamente, o que levou muitos dos melhores artistas a abandonarem sua vocação e aderirem aos torneios de video-game que era mais lento.

A técnica de secagem rápida foi, anos mais tarde introduzida na metalurgia. Se, na arte era um problema, na fabricação de metais serviu para dar maior resistência às ligas, incluindo as cintas-ligas e a Liga das Senhoras Católicas. Atribui-se a uma têmpera mal feita o fracasso da Liga das Nações.

Mas, voltando à questão da luz. Com a popularização da tinta a óleo no séc XIX, onde o pigmento é misturado a óleo de linhaça ou de papoula (especialmente nas cores opiáceas, usadas pelos surrealistas), uma tinta de secagem lenta, a preocupação com a lightfastness aumentou.

Especialmente quando alguns críticos de arte mais ferinos começaram a sugerir a alguns artistas que só fizessem exposições ao ar livre em dias altíssima radiação ultra-violeta.

Ainda que alguns fabricantes garantam uma resistência superior a 100 anos para determinados pigmentos, eles deixam claro (ops! melhor deixar um pouco menos claro) que essa validade só pode ser reclamada pessoalmente pelo criador da obra.

Até hoje, nenhum fabricante recebeu nenhuma queixa.

*não se dê ao trabalho de procurar, essa palavra não existe

4 comentários:

Vilma Mello disse...

Quanto mais eu vivo mais eu descubro o quanto sou ignorante
beijo

Raquel disse...

A minha suspeita,com relação a Liga das Senhoras Católicas,está confirmada...

Rubinho Osório disse...

Concluo então, humanizando o raciocínio, que quanto mais pálido e menos vivaz for o indivíduo, mais ele viverá...
Vc, por exemplo, Adiron, vai morrer loguinho...

Fábio Adiron disse...

Vilma: eu também, essa eu aprendi recnetemente.

Raquel: boa a sua intuição...

Rubinho: pelo contrário, eu sou bem branquelo, hehe