segunda-feira, 21 de setembro de 2009

O bobo e a rainha

Era uma vez, numa terra muito muito distante, um bobo da corte que andava enfastiado de trabalhar para um rei ranzinza e mal humorado.

Seu amo nunca ria de suas piadas, ainda que toda corte o achasse muito divertido. Chegou à conclusão que estava na hora de procurar um emprego que lhe desse mais prazer.

Pela estrada afora ele foi bem sozinho, e nem doces tinha para consumir. Até que, ao longe, divisou um castelo no alto de uma montanha.

Conforme se aproximava do castelo foi encontrando alguns moradores locais, a quem perguntou sobre o rei do pedaço.

Era uma rainha solitária e sobrecarregada pelas demandas de seus súditos. Apesar das perspectivas não serem das melhores ele resolveu arriscar e pediu uma audiência à soberana.

Quando o recebeu, a rainha estava acompanhada do primeiro ministro que, educadamente, lhe ofereceu uma taça de vinho.

Contou algumas piadas, arrancou alguns sorrisos contidos da monarca. Mais que isso, ele notou que os seus olhos sorriam mais que seus lábios.

Ao sair, agradeceu o primeiro ministro pelo vinho, e elogiou a rainha pela boa música que tocava no palácio.

Dias depois ela o chamou. Desta vez sem a presença do primeiro ministro. Ela o levou a passear pelo palácio, mostrou-lhe uma coleção de quadros e perguntou mais a respeito das suas piadas e brincadeiras.

Ao final da caminhada estavam apaixonados e, mesmo sabendo de todos os riscos, ele beijou a rainha que lhe devolveu o mais belo sorriso que ele vira em toda a sua carreira de bobo.

Mas como poderiam enfrentar a situação? O que diriam as pessoas? Uma rainha apaixonada por um bobo da corte?

Como o amor era maior que as convenções sociais do seu tempo, eles levaram seu romance adiante. Ela ria das suas piadas. Ele se encantava com as suas histórias.

E foram felizes para sempre. Ele se sentindo um rei, e ela cada vez mais boba.

4 comentários:

Vilma Mello disse...

Eu fiquei boba de inveja dessa rainha

beijos

Arimar disse...

Bem, ele já era Rei, no seu ofício , ela, também feita de boba pelo ministro e súditos. A vida real também é assim.Conclusões óbvias da insanidade, he he he.
Beijos.

Anônimo disse...

Arimar,excelente dedução... a felicidade é realmente subjetiva..(risos) abraços

Juliana disse...

Nem o bobo, nem a rainha, têm nada de bobos...