sábado, 22 de maio de 2010

A mulher que enlouquecia os homens

Desde muito jovem ela era uma mulher linda e doce. Não era de surpreender que os rapazes se desmanchavam todos por ela.

Por excesso de modéstia, ela nunca acreditou que tivesse todo esse poder, pelo contrário, ainda que se achasse bonita, se via com um monte de limitações estéticas.

Limitações que só ela enxergava, o que todos os demais viam era uma mulher deslumbrante, não só por sua aparência física mas também pelo bom gosto para se vestir.

Era a própria definição da mulher perfeita. Além de bonita, era inteligente, estudiosa, dedicada ao que fazia, compreensiva e gentil, muito gentil.

Teve namorados.Todos perdidamente apaixonados por ela. Por um motivo ou por outro nenhum namoro durava mais que algumas semanas.

Os homens que namorava ou se revelavam muito diferentes do que ela esperava ou não conseguiam retribuir tantas virtudes.

Abandonados, entravam, no mínimo, em depressão. Os mais fortes conseguiram se recuperar apenas com medicamentos, dois deles tiveram de ser internados em manicômios. Um continuou a perseguindo pelo resto da vida.

Já adulta conheceu um homem pelo qual se apaixonou. Pela primeira vez da mesma forma que ele se apaixonara por ela, com a mesma intensidade, com a mesma entrega.

Juntos descobriram mundos que nenhum dos dois pensara antes fosse capaz de existir.

Sem jamais pensar em deixarem um ao outro enlouqueceram juntos e, na sua loucura, internaram-se um no outro e tornaram-se dependentes químicos mútuos.

Juraram amor pelas próximas trinta e uma eternidades.

3 comentários:

Virginia disse...

A mulher que enlouquecia...acabou enlouquecendo...

Vilma A. de Mello disse...

Bela loucura

beijos de domingo

Fábio Adiron disse...

Prima: a loucura costuma ser contagiosa

Vilma: algumas são mesmo