domingo, 3 de maio de 2009

Technicolor

Geraldo gostava de branco. Sílvia de cores.

Durante todas suas vidas trocaram presentes onde um tentava seduzir o outro para as suas preferências.

Ele alegava que o branco sintetizava todo o espectro cromático dela.

Ela se definia como o prisma que o decompunha em detalhes.

Ele lhe dava vestidos brancos. Ela retribuia com gravatas coloridas.

Ele tomava leite puro. Ela fazia vitaminas de frutas.

Ele comprava pérolas. Ela usava esmeraldas, ametistas e rubis.

Ele arrumava a cama com puro linho. Ela completava com cobertores multicor.

Um dia ela chegou em casa e encontrou o vaso repleto de flores.

Em meio a todas as cores que adorava, misturavam-se flores brancas.

Brancas e coloridas bebiam da mesma água. Apoiavam-se umas nas outras.

Tocavam-se como que trocando carícias.

No escuro da sala, ele a olhava estática diante da cena.

Concordaram que a felicidade é daltônica.

5 comentários:

Lucila disse...

Se todos aprendêssemos a olhar a vida com olhos assim acho que tudo seria bem mais fácil. Nos vermos como complementares e ao mesmo tempo deixarmos de ver as diferenças é uma arte.
Beijos multicoloridos

Juliana disse...

Fiquei em dúvida. Acho que não é daltônica não, é toda a escala Pantone.

clau disse...

Com muito de Geraldo e Silvia e entre perolas e ametistas, vitaminas de frutas e primas, lhe digo que amei este seu post!
Que sempre que leio um assim, vc ja percebeu que me cai como uma luva...
Um "Bom dia das Maes!" para quem é de direito, rss, e uma boa semana para vc, tb.
Bjs!

Rubinho Osório disse...

E o amor é cego!!!

Bel disse...

Deu vontade de chorar, emocionada.
Até perdi a vontade de dizer uma gracinha.
(Namorado viajou e eu tô com saudade.)