sábado, 23 de maio de 2009

Contículo gradativo

Tudo começou no meu quarto, onde concebi as idéias que me levariam a dominar o bairro, a cidade, o país, o mundo... E a desejar o próprio Universo...

Era apenas uma questão de dinheiro.O primeiro milhão possuído excita, acirra, assanha a gula do milionário, a partir daí bastava comprar, arrematar, conquistar, assumir, tomar cada um dos seres e das coisas da face da Terra.

É verdade, encontrei resistência, repulsa, asco, nojo, aversão ao meus ideais. Cheguei mesmo a ouvir de um velho amigo:

" - Meu caro, para mim, você é um simples roedor. Que digo? Um verme... Menos que isso! Uma bactéria! Um vírus!... "

O que não impedia que meu coração chegando de desejos. Latejando, batendo, restrugindo inflamado pela sede do poder, domínio, comando, autoridade, desistisse facilmente.

Não poderia aguardar que idade madura converte-se esse desiderato, essa cobiça, essa ambição em em terra, em cinzas, em pó, em sombra, em nada.

Surpreso, admirava o meu porte, sentindo-me vivo, o maior, o invencível.

Mas antes que alcançasse meu sucesso, veio a decadência, o declínio, a queda, a ruína.

E um grito, um gemido, um sussurro, quebrou o silêncio do meu projeto sombrio.

Gradação ou clímax: é a apresentação de idéias em progressão ascendente (clímax) ou descendente (anticlímax)

3 comentários:

Rubinho Osório disse...

Tem muito jovem - quanta pretensão! quanta ilusão! - que precisa ler este contículo...

Juliana disse...

Que coisa mais opressiva, mais tensa, mais angustiante...

clau disse...

Penso que nem Berlusconi escreveria uma coisa assim tanto bem: ao menos a primeira parte, digo! rss
Ainda pq, pessoas sequiosas de dinheiro e poder, nunca se imaginam em decadencia ou em ruina.
Seria de se enviar, este "climax", para todo os governantes e gdes empresarios, atuais.
Ou de se colocar como epitafio em alguns tumulos esparsos por ai,tb. Hihihi.
Bjs!