quinta-feira, 7 de maio de 2009

Atividades musculares

Não sei porque as pessoas insistem em tentar explicar o amor. Mais do que explicar, algumas ainda se arrogam o direito de serem especialistas no assunto. Psicólogos, analistas, terapeutas de casais e cartomantes disputam essa fatia de mercado.

O verdadeiro profissional do amor deveria ser um myxólogo, profissão, que eu saiba, ainda não existe.

Explico melhor.

Toda atividade amorosa é simplesmente uma ação muscular. Desde os primeiros olhares lânguidos até a consecução da conjunção carnal.

Sendo uma atividade muscular, deveria ser estudada pelos especialistas em músculos (em grego, algo equivalente a myx no nosso alfabeto, no deles é μυξ ).

Acompanhe o meu raciocínio (ou a falta dele):

O músculo funciona pela contração e extensão das suas fibras e caraterizam-se pela sua contratibilidade, o que provoca a aquilo que chamamos de dor no coração (músculo estriado).Também provoca dores de estômago (músculo liso) que alguns poetas chamam de dores na alma, mas isso é só um licença poética.

O amor não tem lógica. O que faz todo sentido, pois o cérebro não é um músculo.

O ser humano possui aproximadamente 639 músculos, todos eles tem alguma atividade amorosa, não obrigatoriamente simultânea (estou falando de amor e não de natação) alguns podem contrair-se e encurtar, tornando-se mais tensos e duros, em resposta a um estímulo, podem ser distendidos, aumentando o seu comprimento e, claro, podem retornar à forma e ao tamanho originais.

A propriedade do tecido muscular de se contrair chama-se contratilidade (os amantes pedantes preferem chamar de inotropismo), geralmente ocorrem em amores não correspondidos, e a propriedade de poder ser distendido recebe o nome de elasticidade, termo usado para as pessoas que têm a capacidade de amar diversas outras ao mesmo tempo. Alguns desses movimentos são voluntários e, muitos, totalmente involuntários, o que pode provocar situações desagradáveis se resolverem se mexer em horas ou locais errados.

O principal músculo do amor é o coração, onde existem fibras musculares diferenciadas. A ponto de algumas pessoas serem chamadas de pessoas de fibra. É o mais nobre de todos os músculos, se analisado histológica ou paixoniticamente. Apesar de ser estriado possui movimentos involuntários, se contrai e relaxa sem parar o que torna a prática amorosa uma atividade sempre imprevisível.

No tecido cardíaco, têm bastante importância as fibras de Purkinje (no original era "pour quoi je?" que gerou essa corruptela) células responsáveis pela distribuição do impulso elétrico. Quando a carga elétrica está alta demais os amantes costumam entrar em choque.

Os demais músculos lisos, também chamados de viscerais, são mais longos e lentos, o que ajuda sempre a retardar a ira. Um deles é responsável pela dilatação da pupila, o que costuma deixar os apaixonados com cara de bobos. Já os peristálticos podem gerar acessos inconvenientes em pessoas mais sensíveis.

Um amor descontrolado, com esforço excessivo ou movimentações bruscas podem provocar lesões musculares. As mais comuns são: cãibras, cansaço muscular e distensões. Em geral, tais problemas acontecem durante a prática amorosa. A cãimbra é causada por contrações repentinas e involuntárias do músculo.

Como as outras células, as fibras musculares produzem energia por meio de reações de combustão, por isso que Camões já dizia que amor é fogo que arde sem se ver.

Contrações musculares bruscas podem afetar os tendões, resultando, em certos casos, no rompimento da articulação. Os rompimentos podem ser temporários (briguinhas de namorados) ou definitivos como os divórcios litigiosos.

Já uma distensão é uma lesão no músculo decorrente de um estiramento da musculatura. Distensões ocorrem em todas as pessoas e não apenas em amantes profissionais. As atividades diárias podem provocar distensões. Entretanto, pessoas que praticam a poligamia apresentam maior risco de desenvolver uma distensão amorosa.

Na sua próxima crise amorosa (pode ter certeza que vai ter uma), não deixe de pesquisar se o seu plano de saúde cobre myxoses (crônicas) ou myxites (agudas).

E sempre tenha à mão, o número de celular do seu myxólogo preferido.

8 comentários:

Bel disse...

Hahahahaha
Adorei. Mas me diga uma coisa:
Você é um mixólogo? (Especialista em mix, mistura) Os mixólogos são também chamados de tudólogos. Ou de loucos.
Mas eu aos admiro. Já que como comunicóloga me encanto com a vesatilidade. (Tem lógica? Meu cérebro está meio-dormindo...)

Bjo

clau disse...

Se intui que a capacidade de amar seja como um dom que nao depende de um objeto, em si. E que nao se origina em parte nenhuma do nosso corpo ou mente,transcendendo impulsos elétricos, frenesis ou perdas de sentidos e de razao.
Mas explicadinho assim, com tanta maestria e sendo divertido à beça, a gente até que abdica de aprofundar o argumento.
Aguardo, ansiosa, por novas explicaçoes!
Hihihi.
Bjs!

Lucila disse...

A-D-O-R-E-I!!! HAHAHAHA
Será que o uso de anabolizantes e suplementos de aminoácidos aumentam a intensidade do amor??? Ou só melhoram a performance? Os adeptos da malhação passarão a usar Viagra para... bem, deixa prá lá!!! Prefiro pensar que a melhor modalidade de musculação é o amor.
Minha agenda de telefones anda meio inativa por excesso de trabalho, mas tenho certeza de que ela será ativada novamente assim que possível.

Beijos.

Braulio França disse...

Eu já vi e ouvi muitos profissionais da atividade física confundindo tudo sobre músculos e você que é um insano, deu um espetáculo na analogia. Eu só trocaria a palavra elasticidade por flexibilidade... a propósito, você quer dar aula de musculação para esses caras!

Lou Mello disse...

Chega, não quero mais amar.

ZéMoa disse...

Bem caro amigo. Anatomicamente falando nada a contestar. Só não admito que em sua chamada para o blog você apele para o mais baixo de todos os argumentos: o ROMANTISMO. Como disparou certa vez Antônio Abujamra, e que tem minha mais absoluta concordância, ao entrevistar um diretor teatral que se considerava um romântico - OS ROMÂNTICOS NÃO MERECEM PERDÃO! Faço minhas suas palavras.

Sou um ser contemporâneo.
ZéMoa

Rubinho Osório disse...

Fico pensando... que atividade muscular estará envolvida na "dor de cotovelo"?
Quanto ao termo utilizado para o profissional especializado, sugiro buscar inspiração no latim... no grego não deu certo!

Fábio Adiron disse...

Bel: eu diria que os mixólogos estão mais para nadólogos.

Clau: insanidade não tem contra argumentos.

Lu: me desculpe, a imagem é a mais adequada ao texto. Vou pernsar na farmacopéia do amor.

Braulio: vindo de você, um especialista em músculos, eu aceito qualquer correção.

Lou: deixa de ser preguiçosos

Zé Moa: meus contemporâneos incluem você.

Rubinho: dor de cotovelo tem a ver com atividades braquiais e pronatoras, entendeu?? (nem eu)