terça-feira, 5 de maio de 2009

Renovação filológica

Dizem por aí que as línguas (idiomas, não o órgão muscular localizado na parte ventral da boca) são entidades vivas. Tudo bem, eu sei que algumas são consideradas mortas, aliás tem uma belíssima natureza morta do Léger em cujo centro estão as letras ABC...

De qualquer forma, se são vivas, isso significa que os meus dicionários estão se tornando anacrônicos e, por isso mesmo, fui instigado a um movimento de renovação filológica.

O mais antigo, de uso corriqueiro, que eu tinha era o Oxford Advanced Learner´s. O pobre coitado, já detonado pelo uso constante nos últimos 35 anos, foi substituído por uma belíssimo exemplar do MacMillan que, além da versão em papel, ainda veio cheio de recursos para uso no computador, até mesmo pios de corujas.

Meu Aurélio velho de guerra precisa de uma reposição, ainda mais depois dos recentes ataques, incultos e nada belos, sofridos pelo pátrio idioma. Minha primeira tentativa não foi bem sucedida, descobri que nem o Aurélio, nem o Uais (sim, assim que se escreve depois que ele promoveu essa besteira de unificação da língua portuguesa) foram editados com a nova ortografia. Dizem as más linguas (agora sim, o órgão muscular) que ainda estão tentando resolver todas as exceções do hífen.

Apesar das mudanças no dicionários gerais, não pretendo mudar os meus etimológicos. O passado não costuma ter alterações dramáticas, a menos que você seja um redator de biografias de pessoas polêmicas, cujo passado muda a cada novo livro publicado.

Por outro lado preciso de um novo Larousse. O meu, de poche, apesar de guardar lembranças sentimentais, é insuficiente para o uso. Tenho outro de francês, mas é daqueles que fazem parte da minha coleção de raridades. Um "Dictionnaire Complet Illustré" de Pierre Larousse, edição de 1904.

E um que é tão pouco usado que dá até vergonha, tenho um Langenscheidts Taschenwörterbuch. Não me pergunte qual é a tradução disso, por incrível que pareça, essas duas palavras imensas não estão entre os verbetes do mesmo. De qualquer forma, ele já me foi útil para descobrir o significado dos movimentos das sinfonias de Mahler.

Para completar a coleção, eu ainda vou ter um dicionário de espanhol que, por incrível que pareça, eu nunca tive e que anda me fazendo muita falta.

6 comentários:

Juliana disse...

Fiquei sem palavras.

clau disse...

Ah...menos mal que existe vc, atualizadissimo, para ajudar os desprovidos...
Eu ainda estava me adaptando à ultima grande mudança da lingua portuguesa, sem assim gdes avanços.E esta ultima, entao, me tirou qq chance de que eu me modernizasse. Além de me complicar ainda mais a minha ligaçao afetiva com as tremas e o phs, por ex.Penso que davam um ton mais elegante à dura lingua portuguesa,rss.
As linguas sao vivas, sim.
Mas de tanto vivas, podem um dia morrer.
E o que acho triste é ver que, às vzs, me parece que as estao é assassinando, por este nosso mundo afora...
Bjs!

Elis Zampieri disse...

Humm...Ta explicado porque de tantas daquelas historinhas que deixam a gente assim...sem palavras. :-)

Amplexos.

Arimar disse...

Fábio.

Haja renovação!!!!!!
Beijos.
Arimar

Bel disse...

Você nunca teve um Caudas Aulette????
Era o meu socorro durante a época de escola.

Bom, quanto ao infame acordo ortográfico, eu, como boa brasileira, vou deixar para o último momento: 2012. Até lá, vivo feliz e sossegada com meus tremas, hífens e acentos nos ditongos.

Fábio Adiron disse...

Eu tive um Caudas Aulette sim...risos

Tenho um agradecimento a fazer. Ganhei de presente dois dicionários, o de espanhol que permitiu que eu descobrisse o significado do verbo extrañar e um de francês.

Muito obrigado