sábado, 28 de fevereiro de 2009

Esopiana - parte II

Porém já cinco sóis eram passados que dali nos partíramos, cortando a grama e o mato esbugalhado, quando novamente encontramos as comadres no quintal.

Ainda receosa do último encontro, a barata não se aproximou da lagartixa e postou-se ao lado de um ralo que lhe permitisse uma rápida fuga, se necessário.

" - Bom dia amiga, você está com uma aparência melhor hoje, mais corada...

" - Isso lá é verdade dona baratinha*, encontrei um ninho de pernilongos no telhado e há uma semana ando bem alimentada. E a senhora, teve melhor sorte ?

" - Qual o que..., nem aquelas tripas de camarão que eu fiquei namorando sobraram, os monstros não comeram, mas fecharam num saco tão amarrado que eu passaria eras geológicas roendo para alcançá-las..."

" - Eles estão ficando cada vez piores. Imagine que outro dia perdi o Geconildo, só porque a monstrinha estava com medo dele. O monstro barrigudo ainda tentou explicar que lagartixas são boas porque comem insetos, mas não teve negociação. Ele acabou decapitado."

" - Também tive algumas baixas na família. Parece que o gigante de bigodes está mais rápido esse ano, ou elas é que estavam tão desnutridas que mal conseguiam correr..."

" - É verdade que a sua espécie é unanimemente detestada pelos brobdingnaguianos, mas a nossa ? Tirando a sensação gelada, eles não tem do que reclamar... mas estão virando terríveis jacobinos."

" - Anda roendo livros, comadre ?"

Antes de que a lagartixa começasse a responder, uma casal de corujas que passava pelo local deu uma rasante e levou as comadres nos seus bicos, garantindo o jantar.

Moral : "A distração é a tragédia das almas pobres."

* essa não tinha fita no cabelo, nem dinheiro na caixinha.

2 comentários:

Juliana disse...

Tá vendo só: fica falando de baratas e lagartixas, suas leitoras todas fugiram...

Elis Zampieri disse...

Pobre! Será que pelo menos essa já tinha arrumado um marido?