domingo, 8 de fevereiro de 2009

Bom prá cachorro

Já ouvi falar várias vezes de inversão de valores, de inversão de faltas (especialmente em futebol) e até de reversão. Nunca tinha ouvido falar em inversão de nomes próprios.

Fui de manhã numa ótima loja de vinhos que tem aqui do lado de caso e, enquanto eu me deliciava com as opções o Samuel encontrou uma moça com três cachorrinhos e ficou brincando com eles - os cães, os cães, ele ainda não fica se engraçando com as moças, tanto que nem pediu o telefone dos totós.

Aliás, nem poderia pedir o telefone dos totós, porque nenhum dos três animais tinha nome de cachorro. Era a Ana Júlia, a Bianca e o Joaquim.

Fiquei com saudades do tempo que cachorro erá Totó, Faísca, Rex e Fluffy. Nomes pomposos só tinham os cães de raça e, mesmo esses, tinham apelidos carinhos e seus donos não costumavam se referir a eles como Anatólio de Weinbrungen. Creio que totó surgiu justamente como um apelido para esse cão.

A verdade é que os cachorros estão substituindo os filhos e, por isso mesmo, levando os nomes que esses teriam se existissem.

Sempre que ouço uma madame no meio da rua gritando "vem cá meu nenê" e o nenê é um dinamarquês ou histérico fox paulistinha eu me lembro do rock da cachorra do Eduardo Dusek, dizendo que conhecia um menininho que queria ser pastor alemão, assim não passaria fome.

E olha que eu nem reparei na patronímica, tenho certeza de que alguns canídeos já portam sobrenome da família no lugar do tradicional pedigree e, algumas pessoas, certamente já estão andando com o seu certificado de registro na carteira, ao invés de um mero RG.

Seguindo essa lógica combinada com suas preferências políticas, o cachorrinho que o Obama vai comprar para as filhas, provavelmente vai atender pelo nome de Abraham ou Luther, se bem que já ouvi gente com cachorro que atende por Barak e até um Sadam.

O Veríssimo tem uma crônica que dizia que se alienígenas chegassem na terra reconheceriam imediatamente quem são os seres mais poderosos. Os cães. Afinal, quem mais tem um escravo que fica andando atrás deles na rua catando o seu cocô ?

Não vai demorar muito para que as crianças recém nascidas comecem a ganhar nomes de cachorros. Para esse pais que já tem um Eduardo que é o seu setter, o filho só pode se achamar Bidu ou Scooby.

Também não duvido que o avanço da genética ainda vai permitir que os donos levem seus cachorros em clínicas de reprodução para que eles escolham que tipo de bebê humano eles vão querer.

Erasmo, o filósofo e teólogo, não o cantor, é que tinha razão : Qui canem alit exterum, huic praeter lorum nil fit reliquum.

Au ! Grrrr.... Au !

5 comentários:

Mariazinha_ disse...

Eu tive um cachorro que se chamava peludo, encntrei ele anos mais tarde morto na garagem. Vieram outros, mas nunca mais me apeguei a nenhum, tanto que nem lembro os nomes ou que fim tiveram.
Aqui no meu prédio tem a latifa e o adolfo... =)
Nunca encontrei uma cadelinha Maria, aqlguém conhece?
^^
Ótimo domingo, Fabio.

Elis Zampieri disse...

Bom, meu filho batizou nosso cachorro como Bob Zampieri :-)
Mas falando sério, tem coisa que me dá nos nervos. Como diz o Zé - um amigo meu- "cachorro tem que ser tratado como cachorro, parece óbvio, mas não é".
O Zé escreveu sobre isso aqui: http://controlverso.blogspot.com/2009/02/o-mundo-cao-e-filosofia-do-cotidiano.html

Vale à pena!

Abraços Fabio

bete disse...

Cachorro é tudo de bom como diz a propaganda, mas não é gente.

(Tive um cachorro que chamava Herodes)

Minha cachorra chama Naja, nome que já vi em pessoas, mas meu pai que é do norte a batizou, e é comum eles batizarem cachorros com nomes de outros bichos, naja é uma serpente.

clau disse...

...este seu post deixa a gente pensando, talvez tanto qto o Erasmus de Rotterdam tenha feito...!rss
Tipo, decepçoes com a espécie humana,consciencia de que ela ocupa muito os espaços,ou que os animais seriam companheiros e, por isso mm, mereceriam um nome normal?
Enfim...
Pouco tempo faz, morreram de velhice o meu scottie Chubby e o meu gato Balthazar.
E tenho um Gauguin que esta ali com meus filhos enquanto, por aqui, convivemos com uma Paçoca, um Croc, e um Jerico. Além de ter uma scottie, a Mathilda, que quase se chamou Rucula...
Direi que os nomes, por assim dizer, "pipocam" na cabeça da gente! E tb que eu poderia ser assim um tipo de "branca de neve"...Rss.

José Antonio Klaes Roig disse...

Oi, Fabio.
Gostei muito de sua visita no ControlVerso.
Compartilhamos a mesma ideia a respeito dessa mania de colocar nome de gente em bicho.
Essa inversão de valores.
Já tive cães e gatos, meus e de familiares, e os nomes sempre foram apropriados: Bidjuka, Titinha, Muca, Banzé, Quinzinho...
Amigos derem nomes criativos pra dois cães de guarda: Radar e Bambi.
Mas minha irmã deu o nome de Riquelme ao gato. Pode? Risos.
Não sei onde li, que a nova moda nos EUA é colocar o nome dos filhos idêntico ao das famosas marcas de carro, perfumes e outros produtos. Bom, vindo de lá, a "Meca" do consumismo, nem é de estranhar mesmo.
Gostei de teu blog, irei linká-lo ao ControlVerso.
Um abraço, Zé.