quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Conticulóides coloridos

Vermelho

Aproveitou a parada do sinal e despencou. Chorava tanto que o motorista do carro ao lado lhe lançou um sorriso de conforto. Quando o farol abriu ela lhe deu uma fechada e ainda fez um sinal obsceno - sua dor não aceitava misericórdia.

Amarelo

Quando pequeno lhe contaram que os orientais eram da raça amarela. Ficou imaginando seres da cor do girassol. Decepcionou-se ao ver que sua namorada, nipônica, tinha outro colorido.

Verde

Frustrado por não ter os olhos de sua mãe, ela passou a vida em busca de um marido de olhos cor de esperança, na esperança que os filhos pudessem compensar sua perda. Estragou a vida preferindo a genética à paixão.

Azul

Antonio era um otimista. Perto dele, Poliana não passava de uma brincadeira de criança, nem a maior desgraça o abalava. Quando a mulher o trocou por outra, ele teve uma iluminação e fundou a igreja do onanismo maniqueu. Dizem estar perdido em alguma ilha da Oceania em busca de prosélitos,

Laranja

Todos os dias, Agnaldo passava pelo prédio de Janaína e deixava um buquê de rosas e uma caixa de bombons com um bilhete. O porteiro nunca entendia porque ele não subia e não falava com ela. Até o dia que soube que ela fugira com um cara casado. Era o chefe de Agnaldo.

4 comentários:

Mariazinha_ disse...

O Agnaldo não devia ser laranja, esta mais para um bananão amarelo.
Vermelho em farol... nossa, só não fiz o gesto obsceno ainda, será que terei coragem? Não me dê idéias, fabio...
Beijooo.

Lucila disse...

Amei o amarelo e o verde!!!! Poesia...
beijos coloridos

Bel disse...

Eu adorei foi os títulos estarem em cores diferentes. Confundiu bem meu cérebro, que já não é tão organizado!!!

E não tinha entendido o laranja... até que finalmente captei que o Agnaldo era o laranja. Aff...

Eu adoro seus textos que me fazem pensar se realmente endendi o que você quis dizer.

Bjooo

Juliana disse...

De gustibus et coloribus non disputandum.