quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Nossa (??) língua portuguesa? O retorno

João era ladino desde bacuri. Nunca dava trela para panca marrudo nem fazia picuinha por meia-pataca. Mesmo sendo um caboco do cafundó não costumava se estorvá.

Na roça era um pé-de-boi, nem fastiava nem se metia em fuá. Punha a fuça na enxada, que não dava para ganhar os tufos.

Um dia, avuado, deu um tropicão e se arranjou um unheiro de trincá, quase ficou zambeta. Mas ficar em casa como pata-choca não ornava com ele.

Antes que batesse a gastura e acabasse numa sororóca, mandou chamar o boticário da vila, uma mistura de charlatão com curandeiro.

O janota chegou desgueio, carregando um emborná e um jacá cheio dos trem.

João, acabrunhado, contou que tinha feito uma bestagem pros lado da grota, que parecia um quebranto no cambito.

O facultativo do arraiá achou que era xurumela, e começou a relá, entre um trelê e outro, até que mexeu no táio e João soltou os cachorros :

"- Quá ! ocê num tá vendo que eu tô escangaiado ? Já vai fincando...módequê ?

O farmacêutico se acoitô e quase deu o pira, mas era intojado e não queria deixar serviço pela metade. Deu uma gaitada, enquanto campiava o táio, pichou fora a casca e tacô iodo na xixilenta que deixou João sem fôrgo.

" - Num tô aqui para adular tôco nem para fazer agrado. Vou arrumá a nódia, depois inté pico a mula, mas só saio sem questã."

João sentiu a quentura enriba da perna e, mesmo enfezado e birrento, viu que não adiantava pelejá. O cara era papudo, mas era mais forte que quebra peito, não dava para gorá. Enxoxou.

O boticário acabou o serviço. Tomou uma caneca de café prá boca de pito e foi embora.

Dois dias depois João já estava trabalhando de novo.

5 comentários:

Vilma disse...

Intindi tudo, nasci de parteira...

A foto me lembrou meu avô, se bem que ele usava um canivete para desfiar o fumo e o banquinho era de estimação, era caprichado, eu e meus primos vivíamos brigando para ver quem sentava nele quando meu avô não estava por perto. Na última vez que o vi ele ainda estava no banquinho, com a palha atrás da orelha desfiando o fumo e contando seus "causos" intermináveis e quase ináudiveis por conta da idade, mas não tinha importância, eu já sabia de cor e salteado... quantas saudades... você me fez chorar hoje...

Lucila disse...

Hoje não careci de pai-dos-burros!!!
Tindi tudin!!

Bjoquin

Rubinho Osório disse...

Só uma correção pra mór de perfeiçoá o qui já tava bunitu:
"dois dia despois, João já tava trabaianu di novo".
Eta coisa boa sô!!!

Braulio França disse...

Eta...lá vem o se me faze lembra de coisa da minha vida! O meu vo tinha um quadro desse ai da foto, mascava fumo, fazia cigarro de paia e poiava fumo de corda nas ferida pa mo de sara...eta fuminho bom rsrsrs

clau disse...

A comunicaçao seria simples se nao fosse assim plena de nuances...
Se pode dizer as coisas da maneira mais clara e concisa possivel, mas nao é garantido que o interlocutar a decofifique como esperamos...
Dai a importancia do Marcel Marceau.
Rsss.
Bjs!