segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Cantada inesquecível

Eu nunca fiz o gênero machista. Nem nos tempos de moleque adolescente me agradava o papo furado dos colegas que arrotavam conquistas com detalhes absolutamente inverossímeis. Já sabia que as meninas detestavam ser "faladas" (ainda que gostem até hoje de falar...). Descobri que cão que ladra não morde, o que me foi muito favorável na minha juventude.

Nunca fui ciumento, o que incomodou uma ou outra namorada. Nunca dei ordens, nunca levantei a voz para mulher nenhuma (se bem que duas vezes fui obrigado a ouvir gritos). Abandonei e fui abandonado em namoros, em quantidades equilibradamente proporcionais.

Não posso negar que fui criado numa sociedade machista e alguns resquícios me acompanharam. Sempre tive o hábito de pagar as contas dos programas (poderia ter feito umas economias...risos), ainda dou a mão para mulheres para ajudá-las sair do carro (e, claro, já fiquei com a mão abanando algumas vezes) e até hoje gosto de comprar flores (inclusive para mim mesmo).

Mas a situação em que me senti mais surpreso foi quando, certa vez, levei uma cantada (a primeira e única da minha existência). Fiquei encantado, mesmo com a cara de bobo que me acompanhou. E foi, literalmente, uma cantada musical. Ganhei um disco com um cartão que dizia que as palavras da primeira música eram a dedicatória.

Apesar de existir uma certa atração pairando no ar, nada indicava aquele desfecho, ou melhor, aquele começo. As circunstâncias eram desfavoráveis. Eu e ela estávamos com outras pessoas e, nessa situação, não seria eu a fazer algum tipo de investida.

Ela fez. Apostou na zebra e acertou. Olhando a capa do disco, o nome da música saltou aos meus olhos. Não lembrava a letra toda, mas o que lembrava era suficiente para entender tudo. Cheguei em casa e fui direto para vitrola (tudo bem, já se chamava toca-discos...) e, usando uma expressão da época, ouvi a música até furar o disco (It might as well be swing).

Sempre que ouço a música me lembro do fato e do romance musical. Como se pudesse descobrir as sensações da primavera em Júpiter e Marte.

7 comentários:

Mariazinha_ disse...

Fabio que coisa...
fiquei curiosa pra conhecer esta mulher e também pra saber por que o romance não vingou. duas pessoas fortes? ou seria mais correto dizer determinadas?
linda história, deve ser gostoso lembrar disto. com trilha sonora...
beijooooooo, ótima semana.

Lou Mello disse...

Cadê a música?

Braulio França disse...

Vitrola! Tive uma portátil, laranja...

Vilma disse...

Pela forma com que descreve esse episódio esse é o tipo de música que deve ser ouvida todos os dias, e essa deve ter sido daquelas mulheres que não gostava que você pagasse as contas sozinho, nem que lhe abrisse a porta do carro, quanto as flores acredito que ela tenha aceitado.
Quem recorda um amor assim é porque vive intensamente.

Vilma disse...

Depois desse texto o que vai ter de homem recebendo cds com dedicatória não está no gibi...ahuahuahuahua!

Fábio Adiron disse...

Mariazinha : não vingou porque não devia ser a pessoa certa...a vida é assim mesmo

Lou : a música está nas entrelinhas, ou será nas entrenotas?

Vilma: apesar da iniciativa ser diferente, em outras coisas a feminilidade superava o feminismo

Ana disse...

Genteeeeeeee, que românticooooooo!!!!!!!!