quarta-feira, 23 de abril de 2008

Novos conticulóides fobofóbicos


Tafofobia

Não tinha mais esperanças de arranjar emprego. Em todos os anteriores criara problemas e, de muitos, foi despedido por justa causa. Para agravar a situação,mal sabia ler e escrever. Um vereador amigo de um amigo de um parente lhe arranjou uma vaga de coveiro. Conseguiu se manter, até o dia que, ao jogar a última pá de terra, viu algo se movendo (era apenas um rato desaninhado). Só foi controlado com camisa-de-força e tranquilizantes.

Quimofobia

Janaína fez o caminho inverso de seus pais e voltou para o sertão do Piauí. A vida era difícil mas ela se sentia protegida e sossegada. Aprendeu a fazer bilro e conseguia ganhar o suficiente para a sobrevivência e juntou um dinheirinho para comprar uma garrucha. Nenhuma asa-branca sobreviveu à sua pontaria certeira.

Potamofobia

Marcão foi convidado por amigos para viajar do Espírito Santo até São Paulo. Pela primeira vez iria sair do seu estado e estava excitadíssimo com a perspectiva de conhecer novas terras. Comprou um mapa rodoviário só pelo prazer de estudar o roteiro : Rio das Ostras, Rio Bonito, Rio de Janeiro, Rio das Flores, Três Rios, Rio Claro e ainda as Cachoeiras do Macacu. Preferiu ficar no seu estado que só tinha Pinheiros e Montanha.

Mirmecofobia

Cátia nunca gostou de insetos. Quando ainda pequena, picada por um zangão, teve um alergia fortíssima e passou quase uma semana no hospital. Desde então começou a usar repelentes diariamente. Aos 30 anos teve os primeiros sintomas de cirrose hepática, justa ela que não bebia nem o vinho da ceia. Os médicos não conseguiam descobrir a origem do seu mal e, em pouco tempo, acabou morrendo. Os parentes atenderam seu último pedido. Foi cremada, as cinzas diluídas e derramadas no formigueiro que ficava nos fundos do quintal.

Oclofobia

Nasceu numa família de classe média, mas os pais sempre economizaram para que ele fosse educado nas escolas da aristocracia. A faculdade foi fazer no exterior. Na volta passou no concurso para diplomata. Carismático sempre convenceu seus superiores a enviá-lo para missões tranqüilas em países de baixíssima densidade demográfica, onde fez toda a sua carreira. Apesar das posses sempre se recusou a ter empregados, o que provocou seu dois divórcios e a incompreensão dos filhos. Morreu sozinho e feliz.

3 comentários:

malmal disse...

hahhahah, o que realmente acontece , ao menos para mim, uma ínfima parte da humanidade, é que tive um dia tão atribulado que não me animei a procurar os significados dos termos que vc usou hehehhehe, áudio-descrição é mais fácil, mas prometo solenemente tentar traduzir suas insanidades...

bijoks

Lou Mello disse...

Usarei aqui uma desculpa usada por um amigo da blogosfera: Seu post estava tão bom que não consegui achar as palavras adequadas e fazer um comentário adequado. Olhei sob a mesa, atrás do computador e revirei os bolsos e nada.
Falando nisso, sou um acrofóbico, não em aviões, mas em beiradas, janelas, etc... Uma vez, quase pulei no mar, de um precipício (teria sido morte certa) por causa disso. Transporto comigo outras fobias relacionadas a bactérias e vírus. Se me filmassem em algum toalete público, estouraria no YouTube, pois consigo fazer isso sem tocar em absolutamente nada. Deixa ver... Ah, não suporto aglomerações, por isso não vou a estádios, shows, igrejas e tenho enorme dificuldade em usar transporte público . Você pode nominar essas coisas, pois não achei as palavras.
Não teria sido melhor o meu silêncio?

Fábio Adiron disse...

Eclesiofobia seria um bom nome. O medo de lugares públicos abertos é agorafobia. Qunato aos bichinhos pode ser uma bacilofobia ou uma microfobia...

Se bem que o medo da moda agora é a
Lilapsofobia

Você sempre é melhor falando que calado