segunda-feira, 28 de abril de 2008

Contículo siléptico


Numa tarde de sexta feira, o assessor entra na sala do edil, que olha pela janela como se para o nada :

- Vossa Excelência está preocupado...
- Mas você, João, é mesmo um lesma. Esta gente está furiosa e com medo; por conseqüência, capazes de tudo
- O doutor parece fatigado. Os brasileiros somos pacíficos, além do que, caça às bruxas não é permitido em nossa metrópole.
- Você bem sabe que está uma pessoa servindo missa, meia hora o cansa.
- Mas não estaremos aberto nesse feriado
- Todos os políticos somos responsáveis...
- Grande parte, porém, dos membros daquela assembléia estavam longe destas idéias
- Moramos na agitada São Paulo. Povoaram os degraus gente de toda sorte.
- Essas não esquecem. Seus asseclas estamos esperançosos.
- Sei disso. Uns esperando andais noturnas horas, outros subis telhados e paredes.
- Os dois íamos andando distraídos...
- Mas não eram seis ?
- Os quatro que escapamos nos lançamos ao mar.
- Você não diz coisa com coisa. Todos os políticos da nossa coligação padecemos de traições e fealdades.
- Todos deveis saber que as leis o proibem
- O que me parece inexplicável é que os paulistanos persistamos em engolir os sapos do nosso comandante.
- Agora uma multidão gritavam diante do ídolo oposicionista.
- Antes sejamos breve que prolixo : estamos perdidos.
- A maior parte votaram pela cassação.
- Nada mais resta a fazer...
- Tocar um tango argentino ou um pneumotórax ?
- Seremos professor de português em honra aos Lusíadas que glorificou a literatura lusófona.


*silepse: consiste na concordância não com o que vem expresso, mas com o que se subentende, com o que está implícito

3 comentários:

Lucila disse...

Pneumotórax é ótimo!!!hahaha

Lou Mello disse...

Fábio

Meu professor no Mestrado (educação na UNISO) Luiz Percival Leme Brito, de quem ousei discordar inúmeras vezes, escreveu um livro chamado Contra o Consenso e cita um outro autor (S. Possenti) autor de Por que (não) ensinar gramática na escola, que diz: "Ao operar com o conceito de português padrão, ele o identifica como um dialeto e reconhece que seria 'O dialeto dos grupos sociais mais favorecidos'" Mais a frente diz: "É sabido que o preconceito linguístico resulta do preconceito social e das formas políticas e econômicas de exclusão, e não será eliminado por uma política linguística corretiva.
Diz mais ainda:
"O preconceito linguístico, diferentemente de outras formas de discriminação, não tem sido combatido. Quando se ridiculariza em público uma pessoa por seu jeito de falar, o agente do preconceito é avaliado positivamente, como se fosse culto, inteligente, enquanto o agredido é avaliado negativamente, como se fosse um ignorante, estúpido."
Esses comunistas tem cada uma né? Pior é que ele conseguiu me fazer pensar e achar algum senso nisso.

Minha intenção foi aproveitar o gancho do seu bom humor para puxar um tema que pode ser sério e que não se esgota aqui, logicamente.

Juliana disse...

Entre o culto e a farta de curtura eu admito meu preconceito semântico. Agora, um cara chamado Percival realmente dve ter sido vítima de muito preconceito.