sábado, 5 de abril de 2008

Soneto Lúgubre


Ao estilo de Augusto dos Anjos


Enquanto saboreias teu cigarro
Palavras rescendendo atro sarro
Escarradas de dentro dessa alma
Que nunca desfrutou a vida calma.

Não conviveste com a amenidade
Um lúgubre estio da eternidade
Na morte, musa amiga, decantada,
Repousas, como um colo, da amada.

Deleita-te em brasas infernais
Almas chorando sangue, nada mais
Além do ranger alegre dos dentes

Goza tua solidão vil e eterna
A dor deste teu coração caverna
E o riso das desgraças inclementes.

3 comentários:

Cristiana Soares disse...

Acho que não vou conseguir dormir...

malmal disse...

o título diz tudo.
Mas dentro da proposta, então ótimo.

bijo

Vilma disse...

Esses mortos estão precisando de aparelho ortodôntico, passaram a vida toda rangendo os dentes , mereciam mais cuidados...