terça-feira, 1 de abril de 2008

Comprando vinhos sem medo

Comprar vinhos não é uma tarefa fácil para os iniciantes, pior, não é possível estabeceler nenhum tipo de regra que garanta um mínimo de qualidade. É um conhecimento que só se adquire com experiência tanto em relação à qualidade quanto em relação aos preços que costumam ter variações absurdas de um comerciante para outro. Aprender a comprar bem exige um gasto significativo de gasolina ou de sola de sapato.

As casas especializadas em vinhos são, normalmente, opções mais cômodas. Costumam ter uma variedade considerável de rótulos, especialmente entre os importados. Também têm a vantagem de tratar melhor a bebida que outros estabelecimentos, mas, infelizmente, as condições de armazenagem e transporte dentro do Brasil ainda são precárias. Muitas vezes a loja tem uma adega muito bem cuidada para receber vinhos que se deterioram durante a viagem.

Algumas poucas importadoras pagam pelo transporte em contêineres climatizados o que garante a qualidade, mas se reflete no preço. Alguns bons negócios, às vezes, estão escondidos em pequenas lojas, bares e, ultimamente, em alguns supermercados que têm investido nesse tipo de produto e em funcionários especializados para lidar com eles.

Nos restaurantes, a situação ainda é mais complexa. Exceto nos mais sofisticados, os vinhos costumam ser maltratados, as cartas são feitas com desleixo e o seu consumo não é incentivado.

Você pode achar até pitorescas aquelas cantinas italianas com garrafas de vinho penduradas pelo teto, mas eu não recomendaria nenhum deles para acompanhar a sua refeição. Dificimente os garçons estão preparados para oferecer ou recomendar vinhos, a menos que algum produtor ou importador esteja fazendo uma promoção no estabelecimento, quando qualquer prato combina com o vinho que está na oferta.

O pior de tudo está na coluna de preços da carta de vinhos, geralmente duas ou três vezes mais caro do que o vinho é encontrado no varejo, fato que de forma alguma se justifica. Os restaurantes que cobram preços honestos costumam vender bem mais.

Tanto no comércio como nos restaurantes alguns cuidados básicos podem ser tomados. Eles garantem que o vinho não está estragado, mas não garantem que sejam bons.

Verifique se a cápsula que protege a rolha está em bom estado, se estiver rasgada ou furada pode ser um sinal de que o ar encontrou o seu caminho para oxidar a bebida. Se estiver estufada, passe longe da garrafa, a rolha está defeituosa e o vinho já está produzindo gases que estão procurando se libertar.

Outro sinal de defeito na rolha pode ser notado se o espaço entre a rolha e o líquido for muito grande. Ou a rolha está vazando (e por onde sai vinho entra ar) ou, de tão velho, boa parte do álcool já se evaporou. Num restaurante, nunca aceite um vinho que já venha aberto, o garçom deve mostrar a garrafa intacta e abri-la na sua presença.

Um pouco de atenção com a cor do vinho também pode evitar aborrecimentos desnecessários. Olhe pelo gargalo , contra a luz. Os vinhos tintos costumam resistir melhor aos maus tratos. Se a cor estiver alaranjada e o vinho for um vinho de guarda (encorpado feito para envelhecer bem), isso pode ser um bom sinal.

Se o vinho é para ser bebido jovem, a cor laranja indica que ele já passou do ponto. Nos brancos, que normalmente não envelhecem bem, a cor pode ser um sintoma indicativo de deterioração. A cor amarela escura indica que o processo de oxidação já começou (essa regra não é válida para os vinhos de sobremesa que costumam ter uma cor amarelo-alaranjada). O amarelo escuro, que algumas pessoas chamam de âmbar, indica que você não deve nem perder tempo abrindo a garrafa.

Em caso de dúvida, quando comprar no varejo, experimente adquirir só uma garrafa e testar. Se for bom, volte e complete a compra.

Num restaurante, não se sinta constrangido em devolver um vinho se ele estiver com as suas propriedades alteradas, é para isso mesmo que se experimenta antes de aceitá-lo, só tenha a educação e o cuidado de não usar a prova do vinho como exercício de degustação.

2 comentários:

Vilma disse...

Complicado esse negócio de comprar e degustar vinho...gostaria de saber mais para ensinar meu marido, porque os garçons sempre dão a prova para os homens? a única intervenção que fizemos num restaurante foi porque o garçon na hora de abrir estava abrindo como champagne e não havíamos pedido frizante. Obrigado pelas dicas.

malmal disse...

hã hã. post ameno esse, mas difícil tb...não me sinto segura pra comprar vinhos sem indicação.

bijo e thanks, um dia aprendo...ou não