terça-feira, 13 de novembro de 2007

Vulgus vult decipi, ergo decipiatur




Dura lex, sed lex : no cabelo só Gumex


Certamente você já deve ter recebido pelo menos uma vez uma mensagem contando a história de um família que morreu de leptospirose por ter tomado cerveja direto da latinha. Ou aquela do sujeito que acordou numa banheira de gelo num hotel de Buenos Aires sem os dois rins. Não ? Mas aquela do sujeito que estava morto na sua mesa de trabalho há uma semana e ninguém percebeu você já recebeu...

Esse tipo de “literatura”, onipresente na Internet já recebeu um nome e até existem sites dedicados a checar a veracidade das histórias. Um grande negócio que está se multiplicando tendo como alicerce a sua ingenuidade e a sua boa fé. Com certeza é preciso ser muito ingênuo para acreditar nessas histórias que imediatamente você repassa para todos os seus amigos e até para alguns inimigos.

O que as lendas urbanas tem em comum ? Elas aparecem misteriosamente e se espalham espontaneamente e, como quem conta um conto aumenta um ponto, vão tendo suas variações. Todas elas tem um elemento de humor ou de horror ( onde o horror sempre pune o sujeito que quebrou as regras sociais ou de etiqueta : quem mandou tomar cerveja no gargalo ? quem mandou encher a cara em Buenos Aires ?). Geralmente são histórias boas para papo de bar. Nunca estão baseadas num fato real, e sempre tem uma continuidade e uma conclusão absurda.

É verdade, a maioria das pessoas não tem a intenção de espalhar rumores, fraudes ou mentiras. Mas chega a ser fascinante como as pessoas correm para espalhar aquilo que elas suspeitam ou gostariam que fosse verdade. O desejo de contar uma boa história e, sempre que possível de ser o primeiro a contá-la para um amigo.

Que tipo de pessoa que repassa essas mensagens ? Imagino alguns tipos :

Scribitur historia ad narrandum, non ad probandum : acreditam que informação não precisa de fonte de informação ou pode ter qualquer fonte pseudo-oficial - a a história vem de “um amigo contou que o amigo dele...” . A fonte da história é sempre vaga os detalhes também. Você nunca fica sabendo quando e onde os fatos aconteceram, ou parecem de uma forma vaga ( “um hotel em Buenos Aires”, “uma grande empresa de Frankfurt”). Nas poucas vezes que os detalhes aparecem, são fictícios (mas escritos de uma forma crível). E, se você realmente prestar atenção na história vai notar que não fazem sentido. Em outras vezes aparece o aval do especialistas o doutor da Universidade de Chuchuinha do Brejo, ou a polícia de Nova Iorque (a Nova Iorque no estado do Maranhão, é claro).

Nihil est aliud falsitas nisi veritatis imitatio : adoram o apelo sensacionalista, se as lendas urbanas fossem um jornal , certamente seriam repórteres do finado “Notícias Populares”. Os fatos são escandalosos, chocantes ou assustadores, mesmo porque alguém passaria para frente uma história comum ? Mas é um sensacionalismo que fica no limite do possível – uma das histórias mais divertidas a esse respeito é aquele que diz que o Congresso vai criar uma taxa sobre e-mails para compensar as perdas de faturamento do correio – absurdo, não é ? Mas com o congresso que temos isso chega a ser crível.

Gaudere in calamitatibus aliorum, non est hominum : apelam para o pior dos seus medos. As lendas urbanas procuram sempre provocar terror, preconceito, repulsão ou pelo menos algum arrepio. Lembra da história que dizia que desodorantes tapavam os poros provocando câncer ? O mais popular dos terrores cibernéticos são os falsos avisos de vírus...o pior dos medos dos usuários de computadores.

Dicere quicquid in buccam venerit : vivem repetindo “eu não te disse ?”, mais do que alarmar ou assustar, as lendas urbanas se proliferam sobre os seus preconceitos. Quando uma história vem ao encontro de um deles precisam imediatamente mostrar para todo mundo....eu não tinha dito ?

Uberior est numerus a parvo, quam thesaurus a maximo, quia non quantum datur, sed quantum resideat expeditur : aproveitam aquele velho e bom sentimento de culpa ou a busca pelo dinheiro fácil : transformam aquela sua falta de participação na sociedade ( pela qual você se sente culpado) em um ato de caridade....cada vez que você encaminhar essa mensagem para um amigo uma entidade (que você nunca ouviu falar) estará recebendo $0,01 da multinacional XYZ....envie essa mensagem para sua lista de endereços e receba $100 da Microsoft.

Também existe uma forma mais simples de detectar absurdos, chama-se bom senso. Mas esse é um artigo escasso em tempos virtuais.

E, antes que eu me esqueça esse post é um vírus que pode apagar todo o seu disco rígido, queimar seu forno microondas e derrubar tinta vermelha no seu livro favorito, por favor, envie este blog a todos seus contatos.

12 comentários:

Cristiana Soares disse...

Hehehehehe... tinta vermelha já é terrorismo...

Vilma disse...

Esqueceu que os pózinhos que vem no refrigerante de laranja, são na verdade restos humanos de um funcionário que caiu dentro do tanque enquanto o refrigerante era preparado... hauhauahuahaua!

Pessoa Comun disse...

Tem até uma lenda urbana, de um blog que ressuscita línguas mortas, reinventa o português, oscila entre canções de amor e outras de não tanto, compila frases loucas e faz o Ibope dos tradutores crescer...
Conhece este?

Bijim de malmal

Ana disse...

Eu ri muito, pra variar...pois eu SEMPRE recebo tais mensagens...e o pior, eu respondo a quem me mandou, dizendo que isso é SPAM e pior que é tudo mentira, mas na semana seguinte já tem mais algumas mensagens com esse teor, não adianta....o lixo se prolifera...rs.....
bjinhus

M. le Moulin disse...

Adorei o post, é isso mesmo...!

Anônimo disse...

Realmente Fábio, esse tipo de mensagem se proliferam...até comentei que temos amigos que se aperfeiçoam em mandar determinados tipos de mensagens, acho que daria até para descrever o perfil psocológico de tais figuras...mas isso já fica para vc escrever....rsrsrs....
bjs, Marli

Alice disse...

kkkkkkkkkkkkk !!!
Ah mais tem uma lenda tão antiga que varou a era da nao internet até os dias de hoje...era da minha época de colégioo!!..
A mulher do banheiroooo!!... cuidado meninas!...kkkk
Ih! pensando bem .. quem atacava os meninos?
:-0

beijo seu doido!

Pessoa Comun disse...

/\
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ÔOOO Aliceeeeeeeeeeeeeee, já que desencavou a D. do banheiro, não tenta puxar a brasa pra tua sardinha não !!!! Não era a "mulher" do banheiro era a "Loira do banheiro"...
hahahaha, não tá querendo se comprometre , Loira?

bijão, gargalhando

malmal

Arimar(com pé quebrado) disse...

Fábio.
É sempre muito bom ler o que vc escreve. É um humor misturado com crítica,as vezes com alegria, tristeza ou saudades. Resumindo: não tem que definir nada. É só ler e pronto.O gozado é quando a gente começa a se identificar.Mas enfim: Obrigada. A gente precisa disso. Abraços. Arimar

Volney Faustini disse...

A pior, mais vergonhosa e ridícula que cai foi a do ursinho ! !

Mandei todo mundo do meu outlook apagar o tal do arquivo animal. Animal foi pouco o que me disseram depois que pedi desculpas pela multiplicação do 'hoax'.

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Voltando pros tempos de infante. Fiquei aliviado por saber que as aulas de Latim de meu irmão mais velho seriam banidas da obrigatoriedade.

Essas frases-citações são poderosas, ricas, abrangentes e eternas. E olha que voce é mais novo que eu, nem por isso menos culto - 'au contraire' (deixe-me esnobar meu grego).

Hoje me arrependus est

Vilma disse...

Credo! "...restos humanos de um funcionário..." eu não escrevi isso... kkkkkk, tem uma lenda que diz que enquanto você dorme, seu espírito vai no seu pc e escreve por você,... Ah tem outra que diz que se você tirar sarro das lendas, está condenado a erros gramaticais terríveis, kkkkkkkkkkkkkkkk ( embora ainda ache que tá me faltando mesmo é escola ) kkkkkkk

Anônimo disse...

hauahuaua
pelo menos já sei para quem enviarei a conta desta vez...conheço pelo menos a procedência do próximo vírus, que será batizado de F.A.
rs
bjs perolados