domingo, 11 de novembro de 2007

Meninos e meninas


Vírus estranho. Dizem que até hoje nenhum prêmio Nobel de biologia ou medicina conseguiu isolá-lo, nem descobrir antídotos para suas manifestações. Alguns céticos não acreditam na sua existência. Até serem atingidos por ele. A relação causa-efeito também não foi detectada, conhecem-se os sintomas, não a origem exata. Um dos mais graves é o total embobecimento da pessoa atingida. Mas, acredito eu, o mais interessante é aquele que gera histórias. Reais ou não.

Quase todas começam assim : era uma vez, num distante país tropical do hemisfério sul um Rapaz. Sem adjetivos, o que simplifica bem o texto e estimula a imaginação do leitor. Rapaz tinha uma amiga chamada Amiga. Eram muito amigos desde que Amiga e Rapaz descobriram o que poderiam dividir entre eles. Rapaz já fôra apaixonado por Amiga, quando ela ainda não era amiga. Mas essa é outra história e, para evitar o prolixo vai, momentâneamente, para o lixo.

Acontece que Amiga tinha uma amiga chamada Menina. Menina era amiga de Amiga há mais tempo que Amiga era amiga de Rapaz. Rapaz conhecia Menina há muito tempo, e sempre a vira apenas como amiga da Amiga. Um dia tudo mudou.

Rapaz andava com o coração, órgão de vital importância para a sua sobrevivência, desocupado. A última locatária (sim, locatária, não caia na ilusão que ele tem proprietários) além de abandoná-lo repentinamente, tinha deixado a porta aberta. Aí , como dizem os contadores de histórias, bastou que Rapaz encontrasse Menina com lábios tentadoramente vermelhos e sorrisos cativantes para cair nas parnasianas garras (arghhhh) da paixão.

No dia seguinte foi à casa de Amiga. Lá também estava Menina. Escreveu-lhe um poema, no dia seguinte outro. Num momento teve a oportunidade de encontrá-la sozinho. Chegaram a andar de braços dados pela garoa. O vento da coragem não estava com ele. Nada aconteceu.

Acróstico. O acróstico que ele mandou para Menina, de tão sutil, não foi decifrado. Escreveu uma história, achou-a óbvia demais para enviá-la. Na calada da noite (alguém já viu uma noite falante ?), Amiga, com entusiasmo alcoviteiro tentou aproximá-los...

As histórias começam assim. O desfecho delas são tão inesperados e diversos . Ah....você quer saber o fim dessa história ? Eu também não sei.

4 comentários:

anja disse...

ah conta né!
:))

Pessoa Comun disse...

mas ninguem sabe tb o que aconteceu depois do, "Felizes pra sempre", dos contos de fada e mesmo assim a história tem público fiel

depois é depois...

bijim

Alice disse...

Um Rapaz.. uma amiga.. uma menina...núcleo de um encontro dentro do encontro do desencontros..mas se um deles esticasse o braço encontraria a interceção dos abraços de outros núcleos ..assim formava se a teia do vírus...
...mas o resto, ah...são os segredos mais deliciosos de serem desvendados...Sou toda ouvidos ooppss melhor sou todas olhos e coração!
Beijo!!

Vilma disse...

Vou sonhando com a cura...para aquilo que não tem remédio, aceito como uma dádiva...