quarta-feira, 21 de novembro de 2007

Soneto do desconforto


Ela disse que eu a quebrava ao meio
Mas a queria inteira, delicada,
Conduzindo o meu barco sem receio
No rumo de uma angra abrigada

Como se ela temesse seu anseio
A pele em outra pele afagada
De um tempo num desejo que não veio
Levamos nossa nau na madrugada

As vísceras expostas do seu seio
A faca no meu peito encostada
O sangue jorra intenso em devaneio

Nas horas da vigília bem guardada
Desconforto é só um peso fugaz
Carinho mesmo nunca se desfaz

4 comentários:

PALAVRAS&POESIAS disse...

Parabéns!!!
Abraço da Ana Mello.

Cristiana Soares disse...

Bonito... bonito... bonito...

Alice disse...

Como mãos que quase se encostam mas nunca se encontram....
Como a Cris eu digo...bonito, e me dá vontade de me calar.. quieta.
Beijo

Vilma disse...

Você, exposto assim, parece mais frágil que ela.