terça-feira, 20 de novembro de 2007

A alma feminina


Ontem navegando por poemas, hábito antigo meu, me deparei com a trágica Alfosina Storni. Não que todos seus poemas sejam trágicos, mas o foi a sua vida. Um dia entrou no mar. Entrou e entrou para nunca mais voltar (a Violeta Parra fez uma música linda dessa história).

Mas não é só de quando se foi que surgiram obras de arte, ela mesmo escreve a respeito de quando chegou num soneto chamado "Quando cheguei à vida" onde perscruta a alma feminina.

Não sei se as mulheres, da perspectiva feminina acham a mesma coisa....mas eu me encanto com essas variações da alma feminina. Algumas são assustadoras, outras deliciosas.

Já me disseram que a alma feminina não é nada objetiva, que é regida pelas emoções, muitas vezes fica quase que à deriva, correndo o risco de sucumbir à loucura. Até tenta se manter vigilante como se realmente segurassem o leme, mas as ondas e pedras do caminho acabam provocando desvios inesperados e, não poucos, beirando o abismo (ou serão as beiradas da Terra ?) .

A vigília, como no poema de Alfonsina é questão de sobrevivência para continuar tateando o perfume do ar.

Os olhos, se são as janelas da alma, precisam vigiar. A vigília é constante, a alma variante.

Mesmo quando se é a mesma, incompreensível, flutuante, sujeita aos ventos, temente ao mar.

Sói que velem amores imensos, que valham as viagens pela alma.

Alma feminina, meu abrigo, luz e sombra. De onde vem essa esperança ? Que anseios esconde ? Qual é a tua essência , ou será transcendência ?

Meu olhos espreitam e admiram. E continuam a vigília.


A imagem é uma pinup do Vargas

3 comentários:

Pessoa Comun disse...

Bem, bem, isso ai em cima merece uma resposta , gargalhando, falo por mim, jamais generalize !!!!

A minha alma é absolutamente objetiva, claro que tento manter a racionalidade de plantão, ela é útil pra tentar entender os desmandos das cabeças masculinas.
Acredito que a única diferença entre homens e mulheres seja o costume que temos de falar o que sentimentos e demonstrar, como fez a poeta em seus brilhantes versos.
È claro no poema a intensidade desse amor, como é claro o recado que ela põe no final....
Cuida, vigia, porque os ventos sopram.
Cuida porque é amor e precisa de cuidados.
Cuida, como ela cuida.
Ou seja, caro exemplar masculino da raça, hehheheh, excetuando, (aqui), você que me parece sensível o suficiente para entender, o recado está dado.
Carinho, amor, afeto e compreensão sempre em caminho de mão dupla, vão e voltam, na intensidade possível, claro, mas sendo retribuído.
No mais, sabe que adoro seu blog e aprendo mais com ele, portando agradeço....
Navego em alto-mar e sou sujeita a vagas e tempestades....

Bijim de fim de feriadão,

Alice disse...

Bem... para mim a vigilia se faz necessária para que eu não me perca em mim em um caminho sem volta.
O exercício da atenção me permite até que eu me arrisque mais além, quase à beirada da Terra...
Beijo grande
Alice

Vilma disse...

Às vezes sinto que sou um barco sem vela, no meio de uma tempestade que não me leva a lugar nenhum, em outras sou um navio sem âncora, que chegou ao destino, que quer parar, mas lhe falta suporte. Sei lá, melhor nem entender...