terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Crescente


Na sala do observatório Fernando se dedicava a estudar as fases da lua. Era um apaixonado pelos astros mas, desde os tempos em que cursava astronomia, ele se dedicava exclusivamente ao satélite terrestre. Inclusive estava na lista de candidatos da Nasa quando essa retomasse os projetos de viagens lunares.

Já há alguns anos resolvera fazer um estudo compreensivo das fases da lua e, para isso, todas as noites acompanhava cada minuto de metamorfoses da mesma. Já tinha documentado diversos episódios atípicos, mas nada parecido com o que percebera naquela semana.

Como era habitual, a lua tinha sua fase crescente durante uma semana, às vezes algumas horas a mais, outras a menos, mas nunca fugia desse padrão.

Naquele dia percebeu que a lua crescente completara oito dias inteiros. E continuava crescendo sem chegar a ser lua cheia. Consultou outros colegas, escreveu para observatórios internacionais para verificar se tinham percebido o fenômeno.

Surpreendeu-se quando as respostas começaram a chegar. Para o resto do mundo a lua estava cheia. Naquela noite limpou as lentes do telescópio, verificou se seus equipamentos estavam todos bem conectados. E continou vendo uma lua em fase crescente. Tirou um sem número de fotos e distribuiu para os colegas com quem tinha falado.

Não fez diferença nenhuma. Todos viam uma lua cheia nas fotos, só para Fernando ela continuava crescente. E assim permaneceu por uma semana, duas, três.

Quando todo mundo via uma nova fase de lua crescente, Fernando observou que a sua lua começara novamente a crescer.

E assim ocorreu durante meses. A lua de Fernando iniciava sua fase crescente, continuava crescendo durante as quatro semanas em que deveria estar em outras fases e, então recomeça seu ciclo particular de crescimento.

Mesmo sem nunca chegar a lua cheia, a lua de Fernando era absolutamente deslumbrante. Brilhava com tanta força que ele começou a achar que ela tivesse luz própria. E não é que tinha mesmo? Além de não mudar de fase, a sua lua era um astro com vida autônoma.

Fernando passou o resto da sua vida escrevendo a respeito da sua lua. Os demais astrônomos não levavam a sério mas ele não se importava com isso. Essa lua que só ele via tinha transformado a sua vida e o tinha tornado um homem feliz.

5 comentários:

Elis Zampieri disse...

O mistério não é para a ciência, é para os poetas.

Bom reler você.

clau disse...

...dai a vantagem de se ser um lunatico!...
Bjs!

Arimar disse...

Há que se discutir o conceito de crescimento...

Vilma Mello disse...

Interessante a lua do Fernando...
beijos

Fábio Adiron disse...

Elis: mistério? que mistério?

Clau: selenita, selenita

Arimar: discutir conceito é muito pouco insano

Vilma: interessante é uma palavra interessante