sábado, 5 de dezembro de 2009

Sinestesias

Ele a amava com desejos primários que variavam dos mais prosaicos aos mais complexos.

Um amor frutado de emoções e florido de carinhos.

Mas quando o amor fermentava eles percebiam que desejos secundários apareciam.

Tudo ficava mais condimentado, não poucas vezes empireumático.

Alguns brotavam subitamente como a ervas do campo, outros eram cuidadosamente cultivados, como vegetais.

Ele a considerava uma especiaria. Ela admirava seu instinto animal. A química nunca deixou de existir entre os dois.

O tempo passou para os dois e começaram a surgir desejos terciários, cheios de nuances, como uma madeira que adquire novos cromatismos com a idade.

Como se minerais fossem, se fundiram num único diamante. Eterno.

4 comentários:

Juliana disse...

Primário, terciário, isso está me parecendo mais paleontologia.

Vilma Mello disse...

Infelizmente não posso dizer no que pensei ao ler esse texto...

beijos de fim de semana

Elis Zampieri disse...

Esse negócio de ficar empireumático acho que ainda nao aconteceu comigo. Qual a marca do seu fermento? :-)

Raquel disse...

O som das tigelinhas no laguinho...me encantou...